Importação de trigo pode superar 9 milhões de toneladas
Segundo a Abitrigo, menor oferta interna ligada ao clima pode elevar compras externas e pressionar custos de farinha, pães, massas e biscoitos.
O Brasil pode importar 9 milhões de toneladas de trigo ou mais, o maior volume dos últimos 30 anos, segundo projeção apresentada pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) na abertura do 33º Congresso Internacional da Indústria do Trigo. A entidade atribui a expectativa à menor disponibilidade do cereal no país em razão de questões climáticas.
De acordo com Rubens Barbosa, presidente-executivo da Abitrigo, as compras externas seriam necessárias para manter o abastecimento regular dos moinhos e atender à demanda da indústria alimentícia e da população. Ele afirmou que a qualidade do trigo argentino também pode ampliar a necessidade de importação caso não melhore em relação à safra passada.
A projeção não significa, por si só, uma alteração imediata nos preços ao consumidor. Mas Barbosa alertou que a elevação indireta dos custos de insumos e embalagens, somada ao aumento de 1,17% na carga tributária sobre o trigo importado e à redução de 10% do crédito presumido, deve impactar os custos da indústria moageira em 2026 e 2027. Segundo ele, esse cenário pode ter reflexos nos preços da farinha e de produtos como pães, massas e biscoitos.
Produção nacional e desafios do setor
Daniel Kümmel, presidente do Conselho Deliberativo da Abitrigo, afirmou que o trigo produzido no país e o importado se complementam no abastecimento nacional. Para ele, o Brasil tem condições de ampliar a produção, embora a escala produtiva seja um desafio para a cadeia.
Na abertura do congresso, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, Guilherme Campos Júnior, citou a queda na área plantada e na produção por causa do clima, além das taxas de juros, como desafios para o grão. Ele declarou que o ministério pretende manter apoio às cadeias produtivas por meio do Plano Safra.
Consumo e medicamentos análogos de GLP-1
Outro painel do evento discutiu como medicamentos análogos de GLP-1 podem influenciar escolhas alimentares e reduzir a procura por determinadas categorias de produtos. Segundo os participantes, compreender essas mudanças de comportamento é relevante para que a indústria de alimentos avalie tendências e oportunidades de inovação em derivados do trigo.
O congresso segue até sexta-feira, 23, com debates sobre processo regulatório e mercado nacional e internacional do cereal.



