Estresse eleitoral foi associado a mais eventos cardíacos em estudos

Pesquisas nos Estados Unidos observaram mais hospitalizações cardiovasculares e arritmias perto de eleições presidenciais, sem provar causa direta.

Estudos realizados nos Estados Unidos associaram períodos próximos a eleições presidenciais a mais hospitalizações por doenças cardiovasculares agudas e a uma maior incidência de arritmias em grupos analisados. Os resultados mostram uma associação com momentos de forte tensão emocional, mas não estabelecem que o estresse eleitoral seja, isoladamente, a causa dos eventos.

Publicado em 2022 na revista científica JAMA Network Open, um estudo analisou dados de 6.396.830 adultos vinculados a dois sistemas de saúde da Califórnia. Nos cinco dias após a eleição presidencial norte-americana de 2020, a taxa de hospitalizações por doenças cardiovasculares agudas foi 17% maior do que nos mesmos cinco dias duas semanas antes. Para infarto agudo do miocárdio, o aumento observado foi de 42%.

Outra pesquisa, publicada em 2021 no Journal of the American Heart Association, identificou aumento de 77% na incidência de arritmias em um período de seis semanas que incluiu a eleição presidencial dos Estados Unidos de 2016, em comparação a um período de controle. O acompanhamento reuniu 2.436 pacientes que usavam dispositivos cardíacos implantados, como marca-passos e desfibriladores. Por envolver pessoas com condições cardíacas específicas, esse resultado não pode ser generalizado para toda a população.

Como a tensão emocional pode afetar o coração

Segundo o cardiologista Gustavo Lenci, dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, uma situação de forte carga emocional pode provocar descarga de adrenalina, acelerar os batimentos cardíacos e desencadear arritmias. Pessoas com doenças cardiovasculares prévias podem ser mais vulneráveis, mas alterações no ritmo do coração ou episódios de pressão alta também podem ocorrer em quem não tem diagnóstico cardíaco conhecido.

O médico afirma que o risco pode aumentar quando o estresse é acompanhado de privação de sono e consumo excessivo de energéticos. De acordo com Lenci, esses fatores podem intensificar os efeitos no organismo e favorecer alterações do ritmo cardíaco.

Estresse não costuma ser a única causa do infarto

O estresse intenso pode contribuir para desencadear um infarto em determinadas circunstâncias, mas não costuma ser sua única causa, explica Lenci. Segundo o cardiologista, o infarto frequentemente está ligado a um processo desenvolvido ao longo dos anos, com acúmulo de placas de gordura nas artérias coronárias que podem se romper.

“Infarto só pelo estresse é pouco provável, mas, se vier num contexto de hábitos de vida ruins por mais tempo, isso pode acontecer”, afirma o especialista.

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