Correção pela inflação pode reduzir verba do SUS em R$ 30 bi ao ano
Projeção do IEPS e da Umane estima diferença acumulada de R$ 300 bilhões até 2036 em comparação com a regra atual.
Corrigir o gasto federal em saúde somente pela inflação poderia fazer o SUS receber, em média, R$ 30 bilhões a menos por ano, em valores de 2026, entre 2027 e 2036, segundo projeção do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) em parceria com a Umane. No acumulado da década, a diferença estimada chega a R$ 300 bilhões em relação à regra atual.
Hoje, a União deve aplicar no mínimo 15% da receita corrente líquida no SUS. Com essa vinculação, os recursos acompanham a arrecadação federal: podem crescer em anos de expansão da receita e cair quando há redução. No cenário de correção apenas pelo IPCA, o orçamento ficaria congelado em termos reais no patamar de 2026, de acordo com o Boletim Radar Mais SUS nº 11.
A regra de correção exclusivamente pela inflação vigorou entre 2018 e 2022, durante o Teto de Gastos. Para Rebeca Freitas, diretora de relações institucionais do IEPS, mudanças nas regras de financiamento precisam considerar as necessidades da população e a continuidade das políticas de saúde.
Diferença por habitante e impacto nos serviços
No cenário-base do estudo, o gasto federal em saúde em 2036 seria cerca de R$ 300 menor por habitante do que sob a regra vigente. A diferença equivale a aproximadamente 21% do gasto federal por pessoa, em valores reais de 2026. O levantamento aponta que a distância subiria de R$ 16 por habitante em 2028 para R$ 262 em 2035.
Como comparação, os R$ 30 bilhões anuais correspondem a cerca de metade dos R$ 61,3 bilhões destinados pela União à Atenção Primária em 2026. Segundo o estudo, o valor também equivale a quase três anos do custeio federal das 57.585 equipes de Saúde da Família existentes no país.
A projeção foi feita com base na dotação inicial da saúde na Lei Orçamentária Anual de 2026 e comparou duas regras para o período de 2027 a 2036: a vinculação de 15% da receita corrente líquida e a correção pelo IPCA. Os autores usaram três cenários de crescimento econômico e projeções populacionais do IBGE para o cálculo por habitante.



