Nefrite lúpica pode começar sem sintomas e afetar os rins
Exames de urina, proteinúria, creatinina e pressão arterial ajudam a acompanhar o comprometimento renal causado pelo lúpus.
A nefrite lúpica, comprometimento dos rins causado pelo lúpus eritematoso sistêmico, pode evoluir sem sintomas perceptíveis nas fases iniciais. Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia, entre 150 mil e 300 mil brasileiros convivem com lúpus, e cerca de metade pode desenvolver a condição ao longo da evolução da doença.
Quando não é controlada adequadamente, a inflamação pode causar cicatrizes e perda progressiva da função renal. O reumatologista Edgard Reis, professor adjunto da Disciplina de Reumatologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que o início silencioso é um dos principais desafios: mesmo se sentindo bem, o paciente pode já apresentar perda de proteínas e células na urina.
Quais sinais e exames acompanham a nefrite lúpica
Cansaço, dores articulares e alterações na pele após exposição solar estão entre os sinais que podem aparecer nas fases iniciais do lúpus. Com envolvimento renal, pressão alta, inchaço nas pernas ou ao redor dos olhos, urina espumosa e redução do volume urinário podem indicar necessidade de investigação.
O acompanhamento inclui exames de urina, quantificação da proteinúria, avaliação da creatinina no sangue e controle da pressão arterial. De acordo com o material, a creatinina pode permanecer normal no início, por isso a análise conjunta desses parâmetros contribui para identificar alterações precocemente.
Tratamento busca preservar a função renal
O tratamento prolongado envolve controlar a inflamação, preservar a função dos rins e reduzir efeitos adversos das terapias. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, o objetivo é buscar com o médico a menor dose possível de corticoides pelo menor tempo necessário. Esses medicamentos têm papel importante no controle rápido da inflamação, especialmente na fase aguda, mas o uso prolongado e em doses elevadas está associado a efeitos adversos.
Entre eles estão ganho de peso, aumento da pressão arterial, alterações nos níveis de açúcar no sangue, perda de massa óssea, catarata, maior risco de infecções e mudanças de humor e sono. Edgard Reis explica que a preocupação está principalmente na dose acumulada e no tempo de exposição aos corticoides.
Segundo o reumatologista, ensaios clínicos recentes indicam que, em pacientes selecionados, medicamentos que atuam em diferentes mecanismos da doença podem aumentar a possibilidade de resposta renal e permitir redução mais rápida da exposição aos corticoides. Há opções orais, subcutâneas e intravenosas; em determinados casos, esquemas mais espaçados podem diminuir a frequência de administrações e facilitar a adesão, sem substituir consultas e exames para monitorar a atividade da doença e a função renal.



