Menopausa após câncer de mama exige cuidado individualizado

Quimioterapia, supressão ovariana e hormonioterapia podem intensificar sintomas; opções devem considerar a segurança oncológica.

Tratamentos para câncer de mama podem antecipar ou intensificar a menopausa em mulheres que ainda não haviam passado por essa fase. Segundo a oncologista Luciana Landeiro, da Oncoclínicas, o acompanhamento individualizado é necessário para controlar sintomas sem deixar de considerar a segurança oncológica.

Quimioterapia e supressão da função ovariana podem reduzir de forma importante os níveis de estrogênio. Já as terapias endócrinas, também chamadas de hormonioterapia, usadas em determinados subtipos de câncer de mama, podem provocar ou agravar sintomas como ondas de calor, alterações do sono, secura vaginal, redução da libido e perda de massa óssea.

“A menopausa relacionada ao tratamento do câncer de mama pode acontecer de maneira mais abrupta do que a menopausa natural”, afirma Landeiro. De acordo com ela, esses efeitos precisam integrar a conversa sobre o cuidado oncológico.

Sintomas podem afetar sono, sexualidade e bem-estar

Uma revisão publicada em 2024 na revista The Lancet, citada pela Oncoclínicas, aponta que os sintomas da menopausa após o câncer podem ser mais intensos do que os observados na menopausa natural e afetar sono, humor, sexualidade e qualidade de vida. A insuficiência ovariana precoce também pode elevar, no longo prazo, o risco de osteoporose e doenças cardiovasculares.

Em estudo publicado na Breast Cancer Research and Treatment, 89% das mulheres com câncer de mama e sintomas relacionados à menopausa relataram fogachos ou sudorese noturna e alterações do sono. Secura vaginal foi relatada por 75%; oscilações de humor, por 62%; e dificuldades na vida sexual, por 60%. Na pesquisa, 60% disseram desejar mais suporte para lidar com os sintomas.

Para a psico-oncologista Cristiane Bergerot, da Oncoclínicas, as mudanças físicas podem repercutir na autoestima, imagem corporal, relacionamentos e qualidade de vida. Ela destaca que sintomas e preocupações sobre uma possível recorrência devem ser discutidos com a equipe de saúde.

Tratamento não deve seguir uma única receita

A escolha da estratégia depende do tipo e subtipo do tumor, dos tratamentos realizados, da idade, de fatores de risco e dos medicamentos que a paciente ainda usa. A terapia hormonal da menopausa não deve ser indicada automaticamente após um câncer de mama; nos tumores com receptores hormonais positivos, em especial, costuma ser contraindicada, segundo a fonte.

Para secura vaginal e dor durante a relação sexual, lubrificantes e hidratantes vaginais costumam ser a primeira opção. O estrogênio vaginal em baixa dose pode ser discutido em situações específicas com a equipe médica. Um estudo observacional dinamarquês com 8.461 mulheres tratadas de câncer de mama inicial não associou seu uso a maior risco de recorrência no conjunto das participantes, mas identificou um sinal de aumento de risco no subgrupo que utilizava inibidores de aromatase.

Segundo a Oncoclínicas, intervenções psicológicas estruturadas também podem ajudar: um ensaio clínico publicado no Lancet Oncology observou redução do impacto de ondas de calor e sudorese com terapia cognitivo-comportamental, além de melhora em aspectos do humor, sono e qualidade de vida.

Em junho de 2026, a Anvisa aprovou o fezolinetanto para ondas de calor e sudorese moderadas a intensas da menopausa. Para mulheres que tiveram câncer de mama, porém, os estudos ainda estão em andamento. A fonte também informa que o elinzanetanto apresentou resultados em mulheres em hormonioterapia no estudo OASIS-4, mas não está disponível no Brasil.

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