Estudo testa combinação para ampliar controle do melanoma

Pesquisa de fase 3 apresentada na ESMO 2026 comparou HBI-8000 mais nivolumabe ao uso de nivolumabe com placebo.

Uma combinação experimental de medicamento oral e imunoterapia elevou de 7,4 para 11,7 meses a mediana de sobrevida livre de progressão em pacientes com melanoma avançado, segundo resultados do estudo internacional de fase 3 HBI-8000-303, apresentados na ESMO 2026, em Madri. O medicamento HBI-8000 ainda não está disponível comercialmente para essa indicação.

De acordo com os pesquisadores, o estudo envolveu 404 pacientes de diferentes países, incluindo centros brasileiros. A associação entre HBI-8000 e nivolumabe reduziu em 27% o risco de progressão da doença em comparação com nivolumabe e placebo. A diferença entre as medianas dos grupos foi de 4,3 meses.

O oncologista Rodrigo Perez Pereira, líder nacional da especialidade pele da Oncoclínicas e um dos autores e investigadores da pesquisa, afirmou que o estudo investiga formas de potencializar a resposta à imunoterapia no melanoma avançado.

Como atua a combinação investigada

O nivolumabe bloqueia a proteína PD-1, descrita pela fonte como um freio que pode ser explorado pelo câncer para escapar das defesas do organismo. Já o HBI-8000 atua sobre enzimas chamadas histona deacetilases, ou HDAC, envolvidas na regulação da atividade dos genes. A proposta é modificar o ambiente tumoral para favorecer o reconhecimento das células cancerígenas pelo sistema imunológico.

Em uma análise de subgrupo, pacientes com níveis normais de desidrogenase láctica (LDH) no início do tratamento tiveram mediana de sobrevida livre de progressão de 20 meses com a combinação, ante 7,4 meses com nivolumabe e placebo. Segundo a fonte, por se tratar de uma análise de subgrupo, o achado deve ser interpretado no contexto do conjunto dos resultados.

Segurança e próximos passos

Os pesquisadores também avaliaram a segurança da combinação. Diarreia e náuseas estiveram entre os efeitos adversos mais frequentes, além de alterações nas células sanguíneas. A eventual incorporação do HBI-8000 à prática clínica dependerá da análise completa das evidências e da avaliação das autoridades regulatórias.

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