Câncer de mama: 8 mitos e verdades sobre mamografia
Mastologista esclarece dúvidas sobre histórico familiar, autoexame, implantes e sinais que precisam de avaliação médica.
Não ter histórico familiar, fazer autoexame ou não apresentar sintomas não elimina a necessidade de acompanhamento para o câncer de mama, segundo a mastologista Kelma Sandes, do Centro Médico Elsimar Coutinho Day Hospital (CEPARH). A especialista esclarece dúvidas frequentes sobre fatores de risco, mamografia e alterações que devem ser investigadas.
O histórico familiar é um fator de risco importante, sobretudo quando há vários casos entre parentes próximos, diagnósticos em idade jovem ou câncer de ovário na família. Ainda assim, a maioria dos casos não está diretamente ligada a uma predisposição hereditária conhecida. Idade, fatores hormonais, excesso de peso, sedentarismo e consumo de bebidas alcoólicas também podem influenciar o risco, de acordo com a médica.
Autoexame não substitui a mamografia
Conhecer as próprias mamas pode ajudar a perceber alterações, mas o autoexame não substitui a mamografia. Segundo Kelma Sandes, o exame de imagem pode identificar sinais suspeitos antes do surgimento de sintomas ou de mudanças perceptíveis ao toque.
A mastologista informa que a mamografia também é usada no rastreamento de mulheres sem sintomas. No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda o rastreamento populacional por mamografia a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Quem tem histórico familiar relevante, predisposição genética ou outros fatores de risco aumentado pode precisar de acompanhamento individualizado, conforme avaliação médica.
O SUS também não restringe a mamografia de rastreamento para mulheres de 40 a 49 anos e para aquelas com mais de 74 anos que não tenham sinais ou sintomas suspeitos e desejem fazer o exame por demanda. Nesses casos, a orientação é receber informações de profissionais de saúde sobre riscos e benefícios.
Desodorante e silicone não causam o câncer de mama mais comum
Não há evidências científicas consistentes de que desodorantes ou antitranspirantes com sais de alumínio aumentem o risco de câncer de mama, afirma a especialista. A associação entre esses produtos e a doença não teve relação causal estabelecida.
As próteses de silicone também não têm evidências de causar o câncer de mama mais comum, que se origina no tecido mamário. Há, porém, uma associação rara entre determinados implantes, principalmente os de algumas superfícies texturizadas, e o linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários, o BIA-ALCL, doença distinta do câncer de mama. Quem possui próteses deve manter o acompanhamento e os exames de imagem indicados.
Caroço precisa de avaliação, mas não define diagnóstico
Nem todo nódulo mamário é maligno: cistos e fibroadenomas, por exemplo, também podem causar caroços. Porém, não é possível identificar a natureza de um nódulo apenas pelo toque, e toda alteração nova ou suspeita deve ser avaliada por um profissional de saúde, segundo Kelma Sandes.
Também merecem atenção médica a retração da pele ou do mamilo, mudanças no formato da mama, secreção espontânea pelo mamilo — especialmente com sangue — e alterações persistentes na pele.
Hábitos podem reduzir riscos, sem proteção absoluta
A amamentação está associada à redução do risco de câncer de mama, mas não elimina a possibilidade de desenvolver a doença. O efeito protetor pode estar relacionado às mudanças hormonais da lactação e ao menor número de ciclos menstruais ao longo da vida, e varia conforme fatores individuais.
Manter alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e controlar o peso corporal também contribuem para reduzir o risco, de acordo com a mastologista. Evitar bebidas alcoólicas é outra medida citada, pois seu consumo é associado ao aumento do risco. Nenhum alimento ou hábito, contudo, garante proteção absoluta.
Diante de um nódulo ou outro sinal suspeito, a investigação não deve esperar a idade ou o intervalo previsto para o rastreamento de rotina.



