Transportadoras planejam 2027 com cautela sobre custos
Empresas do Norte do Paraná veem demanda no fim de 2026, mas pressionam por rentabilidade antes de ampliar investimentos.
Transportadoras do Norte do Paraná iniciam o planejamento para 2027 com expectativa de maior movimentação de cargas no fim de 2026, mas com cautela diante dos custos operacionais e da pressão sobre os valores de frete. A avaliação é do diretor regional do SETCEPAR Londrina, Marcelo Aguiar.
Segundo Aguiar, as vendas de fim de ano, o agronegócio e a indústria podem favorecer as operações até dezembro. Ainda assim, o aumento do volume transportado não garante melhora nos resultados, pois despesas com combustíveis, mão de obra, manutenção, veículos e encargos financeiros nem sempre são repassadas integralmente aos clientes.
Um levantamento do Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas (DECOPE), da NTC&Logística, apontou no primeiro semestre de 2026 uma defasagem média de 10,5% entre os fretes praticados e os custos efetivos das operações. Para o SETCEPAR Londrina, esse cenário exige avaliar a margem gerada por cada atividade, além do volume movimentado.
Demanda e confiança têm sinais distintos
No Paraná, o varejo ampliado acumulou crescimento de 2,7% entre janeiro e julho de 2026, acima da média nacional de 1,9%, conforme os dados citados pela entidade. Em setembro, porém, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio recuou 3,3% na comparação mensal, para 95,2 pontos, patamar abaixo dos 100 pontos que separam as zonas de insatisfação e otimismo.
No agronegócio, o Departamento de Economia Rural (Deral) registrou o abate de 1,1 bilhão de frangos no Paraná no primeiro semestre, alta de 4,9% sobre 2025 e equivalente a 35% do total nacional. No início de outubro, o plantio de soja alcançava 36% da área prevista para a safra de verão.
Investimentos dependem de retorno financeiro
Para 2027, renovação de frota, manutenção, contratação, tecnologia, revisão de contratos e expansão de operações estão entre os temas em discussão. Aguiar afirma que as empresas devem priorizar a ocupação dos veículos, o planejamento de rotas, a disponibilidade de profissionais e o uso de terceiros nos períodos de maior demanda antes de assumir novos custos permanentes.
De acordo com o diretor, as condições de financiamento, a evolução da demanda e o comportamento dos custos deverão definir o ritmo dos investimentos. A tendência, segundo ele, é que as transportadoras selecionem iniciativas com potencial de elevar a produtividade e avancem conforme as oportunidades se confirmem.



