Pressão alta e doença renal crônica podem formar um ciclo
Segundo o DHA/SBC, a hipertensão pode lesar os rins, enquanto a perda da função renal dificulta controlar a pressão.
A hipertensão arterial e a doença renal crônica podem se agravar mutuamente e evoluir sem sinais perceptíveis nas fases iniciais. Segundo o Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA/SBC), a pressão alta está entre as principais causas de lesões nos rins, enquanto o comprometimento desses órgãos pode dificultar o controle da pressão.
O cenário tem impacto no Brasil: cerca de 172 mil pessoas fazem diálise no país, de acordo com o Censo 2024 da Sociedade Brasileira de Nefrologia citado pelo DHA/SBC. O levantamento também aponta mais de 50 mil novos pacientes por ano.
Como a hipertensão afeta os rins
De acordo com a cardiologista Sayuri Inuzuka, vice-presidente do DHA/SBC, a pressão elevada danifica progressivamente os pequenos vasos sanguíneos que levam sangue aos rins. Esse processo pode prejudicar a capacidade dos órgãos de filtrar o sangue e eliminar resíduos.
Segundo a médica, o comprometimento pode avançar sem sintomas evidentes. Inchaço, cansaço intenso e redução do volume de urina podem surgir quando a função renal já está bastante comprometida. Em quadros avançados, pode haver necessidade de hemodiálise ou transplante renal.
Por que a doença renal também eleva a pressão
A relação ocorre nos dois sentidos. Quando os rins perdem parte de sua capacidade, podem reter mais sal e água e ativar mecanismos que contraem os vasos sanguíneos, elevando a pressão arterial, informa o DHA/SBC.
Forma-se, assim, um ciclo: a hipertensão agrava a lesão renal, e o mau funcionamento dos rins torna o controle da pressão mais difícil. Para Sayuri Inuzuka, o acompanhamento médico regular de pessoas com hipertensão ou doença renal é importante porque as duas condições podem evoluir sem sintomas evidentes.



