Nódulo na mama na amamentação: quando investigar

Mastologista do CEUB orienta procurar avaliação diante de alterações persistentes e diz que exames podem ser feitos sem esperar o desmame.

Dor, inchaço, endurecimento e nódulos podem ocorrer durante a amamentação, mas alterações persistentes não devem ser atribuídas apenas à lactação. Segundo Gabriela de Albuquerque, professora de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB) e especialista em Mastologia e Cirurgia Geral, sintomas que preocupam devem ser avaliados por uma equipe médica sem esperar o desmame.

A especialista afirma que a amamentação ajuda a reduzir o risco de câncer de mama, mas não impede o surgimento da doença. No pós-parto, mudanças naturais nas mamas podem mascarar sintomas e se confundir com situações frequentes entre lactantes, como mastite e ductos bloqueados, o que pode atrasar o diagnóstico.

De acordo com Gabriela, nódulos endurecidos que permanecem por mais de duas semanas ou não mudam após as mamadas ou o esvaziamento das mamas precisam ser investigados. O prazo, porém, não é uma orientação para aguardar: ao perceber um caroço ou outra alteração preocupante, a recomendação da médica é buscar avaliação imediatamente.

Sinais que merecem atenção durante a lactação

Além de um nódulo persistente, a mastologista cita pele engrossada ou com aspecto de “casca de laranja”, mamilo que passa a ficar retraído, saída espontânea de secreção transparente ou com sangue e vermelhidão persistente. Mastite que não melhora com o tratamento também requer atenção médica, segundo a especialista.

Exames podem ser realizados durante a amamentação

Ultrassonografia, mamografia e, quando indicada, ressonância magnética podem ser realizadas durante a lactação, segundo Gabriela de Albuquerque. “A amamentação não deve ser interrompida para fazer os exames de investigação, assim como os exames não devem ser atrasados em função do aleitamento”, explica.

Ela recomenda informar à equipe de saúde que a paciente está amamentando. Quando possível, amamentar ou retirar o leite antes do exame pode reduzir o desconforto e facilitar a avaliação das imagens.

Segundo a professora do CEUB, um estudo publicado na revista npj Breast Cancer, com 385 mulheres com tumores positivos para receptores hormonais e HER2-negativos, encontrou pontuações mais altas em um teste genômico usado para estimar o risco de recorrência entre pacientes diagnosticadas nos primeiros 12 meses após o nascimento de um filho. Os resultados também sugerem esse comportamento em tumores diagnosticados até três anos após o parto. Isso não significa, ressalta a médica, que toda mudança na mama seja câncer: muitas alterações estão ligadas à lactação e melhoram com o manejo adequado, mas sintomas persistentes precisam de investigação.

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