Intersexualidade: por que informação ajuda a reduzir o estigma
No Dia da Visibilidade Intersexo, especialista explica que preconceito e desinformação podem afetar autoestima e relações sociais.
Celebrado em 26 de outubro, o Dia da Visibilidade Intersexo busca ampliar a informação sobre pessoas que nascem com variações nas características sexuais e enfrentar o preconceito e a discriminação. Segundo o especialista em Sexologia e Sexualidade Januário Mourão, o sofrimento associado a essas vivências não decorre necessariamente das variações corporais, mas também das respostas sociais, familiares e institucionais a elas.
Intersexualidade se refere a variações em características sexuais anatômicas, hormonais, gonadais ou cromossômicas que não se enquadram nas definições típicas de corpos masculinos ou femininos. A mobilização da data teve origem em 26 de outubro de 1996, quando ativistas intersexo e aliados se manifestaram durante uma conferência da Academia Americana de Pediatria, nos Estados Unidos.
Normas sociais podem afetar a percepção corporal
De acordo com Mourão, compreender a intersexualidade requer ir além de padrões binários usados tradicionalmente para classificar os corpos. Para o especialista, quando diferenças nas características sexuais são interpretadas a partir de normas sociais rígidas, pode haver estigmatização, invalidação de experiências individuais e uma percepção negativa do próprio corpo.
Ele afirma que a falta de informação também pode interferir nas relações sociais e nos processos de reconhecimento e pertencimento. A exposição contínua a julgamentos, silenciamento ou expectativas externas sobre o corpo pode favorecer sentimentos de inadequação, insegurança e dificuldade de estabelecer relações interpessoais baseadas na confiança, segundo o especialista.
Mourão destaca a importância do acolhimento, da educação sexual baseada em evidências e do respeito à autonomia individual para reduzir o estigma e promover condições mais saudáveis de desenvolvimento psicossocial.
Intersexualidade não define identidade de gênero ou orientação sexual
A discussão sobre o tema exige distinguir características sexuais, identidade de gênero e orientação sexual, que são conceitos relacionados, mas não equivalentes. Ser intersexo diz respeito às características sexuais da pessoa e não determina sua identidade de gênero nem sua orientação sexual.
Para Mourão, ampliar o conhecimento sobre essas diferenças ajuda a combater interpretações equivocadas e a reconhecer pessoas intersexo para além dos padrões corporais socialmente estabelecidos.



