Cremação ainda é minoritária no Brasil, aponta setor funerário

Dados citados pelo Sincep estimam que a prática represente de 8% a 9% das escolhas no país; estudo com pacientes oncológicos indicou preferência maior pelo sepultamento.

A cremação representa entre 8% e 9% das escolhas funerárias no Brasil, segundo dados citados pelo Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep). Embora o sepultamento ainda predomine, o setor associa o avanço da modalidade a mudanças culturais e a uma maior abertura para conversar sobre a morte e as formas de despedida.

Em outros países, a participação informada pelo Sincep é maior: cerca de 98% das mortes no Japão resultam em cremação, ante mais de 68% na França e aproximadamente 56% nos Estados Unidos. Os percentuais não permitem, porém, comparar diretamente as escolhas das famílias sem informações sobre os critérios e períodos de cada levantamento.

Em dados próprios, o Cemitério e Crematório Primaveras informou que, até outubro de 2026, realizou 1.086 sepultamentos, equivalentes a 53% dos serviços, e 511 cremações, ou 47%. O recorte se refere à instituição, não ao conjunto do país.

Preferência e conversa sobre a morte

Uma pesquisa encomendada pelo Sincep e realizada pelo Studio Ideias apontou que 68% dos entrevistados concordavam saber que a morte viria, mas não se sentiam preparados para ela. O material não informa o período, o número de participantes ou a metodologia do levantamento.

Já um estudo publicado em 2023 no São Paulo Medical Journal, com 220 pacientes com câncer do Hospital de Câncer de Barretos, identificou preferência pelo sepultamento em 71,4% dos participantes; 25% escolheram a cremação. A pesquisa encontrou associação entre a preferência pela cremação, a escolaridade e o hábito de conversar sobre a morte com familiares ou pessoas próximas.

Para Selma Capanema, gestora-executiva da BiosBrasil, a cremação passou a integrar um conjunto mais amplo de alternativas para as famílias. Segundo ela, a escolha pode ser acompanhada por cerimônias de despedida e por espaços voltados à preservação simbólica das cinzas, de acordo com a história e os desejos de cada pessoa.

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