Projeto da casa pode reduzir o calor acumulado nos ambientes
Arquiteta Gabi Sartori aponta sombreamento, isolamento e ventilação como fatores para o conforto térmico nas moradias.
O projeto de uma moradia pode ajudar a reduzir o calor acumulado nos ambientes ao considerar orientação solar, sombreamento, ventilação, cobertura e materiais, segundo Gabi Sartori, arquiteta e urbanista e cofundadora da NEUROARQ Academy. A especialista defende que essas decisões sejam planejadas antes da dependência de climatização mecânica.
De acordo com Sartori, fachadas voltadas para o sol da tarde e coberturas expostas podem armazenar calor e mantê-lo no interior da casa mesmo à noite. “Não basta olhar a temperatura externa: é preciso entender como cada superfície recebe, armazena e libera energia”, afirma.
Sombra e cobertura limitam a entrada de calor
Segundo a arquiteta, elementos externos, como brises e toldos, podem bloquear a radiação solar antes que ela atravesse o vidro das janelas. Na cobertura, isolamento e superfícies com menor absorção solar ajudam a limitar o ganho de calor. Árvores, por sua vez, podem sombrear fachadas e reduzir o aquecimento no entorno.
As soluções precisam considerar o clima, a orientação e o uso de cada imóvel, ressalta Sartori. Para ela, a questão central é evitar que a residência acumule calor, em vez de buscar retirá-lo somente depois da entrada nos cômodos.
Ventilação depende das condições do entorno
Entradas e saídas de ar bem posicionadas favorecem a remoção do calor e podem melhorar a sensação térmica, conforme a especialista. À noite, abrir a casa pode ser útil quando o exterior está mais fresco; nos horários mais quentes, porém, deixar todas as janelas abertas pode elevar a temperatura interna. Ruído, poluição, segurança e ausência de vento também influenciam o resultado.
Avaliação após a ocupação orienta ajustes
Sartori recomenda observar temperatura interna, umidade, incidência solar e circulação do ar em diferentes horários, além de ouvir os moradores sobre o uso dos espaços. Em levantamento de autopercepção da NEUROARQ Academy, realizado entre 2022 e 2025 com mais de 6 mil respostas de diferentes regiões do Brasil, iluminação natural e temperatura confortável apareceram entre os fatores associados à percepção positiva dos ambientes.
Segundo a instituição, essa percepção não substitui uma avaliação técnica do desempenho térmico, mas pode indicar como as condições ambientais são vivenciadas no cotidiano.



