Estudo aponta que 87,3% das alegações de saúde checadas eram falsas
Levantamento da Agência Lupa analisou 764 alegações entre 2017 e junho de 2026 e mapeou temas, estratégias e canais de circulação.
Um levantamento da Agência Lupa aponta que 667 de 764 alegações sobre saúde analisadas entre 2017 e 30 de junho de 2026 foram classificadas como falsas — o equivalente a 87,3%. O estudo reúne 498 verificações publicadas pela agência e descreve como a desinformação mudou de tema e formato ao longo do período.
Segundo o relatório “Raio-X da Desinformação em Saúde”, a quantidade de conteúdos virais checados cresceu durante a pandemia: em 2020 e 2021, foram 452 conteúdos, cerca de dez vezes o volume registrado nos três anos anteriores. Depois desse período, vacinas continuaram entre os principais assuntos, ao lado de dengue, diabetes, câncer e alimentação.
Vacinas seguiram entre os principais alvos
Antes da Covid-19, vacinas apareciam em 9,1% das checagens de saúde. A proporção chegou a 33,2% durante a pandemia e a 38,9% entre 2022 e 2024. Entre 2025 e junho de 2026, caiu para 20%, mas permaneceu acima do índice anterior à pandemia. Das 244 alegações sobre vacinas examinadas em todo o período, 212, ou 86,9%, eram falsas.
O pesquisador Maiquel Rosauro, responsável pelo estudo, afirma que estratégias já usadas antes da crise sanitária continuaram em circulação, ainda que com novos assuntos e ferramentas. Entre 2025 e junho de 2026, o levantamento identificou a retomada de promessas de curas simples e tratamentos milagrosos, incluindo receitas caseiras, anúncios pagos, vídeos manipulados por inteligência artificial e falsas declarações atribuídas a médicos.
Falsa autoridade e medo aparecem entre as estratégias
De acordo com a análise, a técnica mais frequente foi o uso de falsa autoridade médica ou científica, presente em 21,59% dos casos. Medo e linguagem alarmista apareceram em 17,09%, seguidos pela distorção de estudos e dados, com 15,74%, e pela oferta de soluções simples para problemas complexos, com 12,59%.
O uso do medo foi identificado em 33,82% das alegações verificadas entre 2025 e junho de 2026. Esses conteúdos costumam associar vacinas, tratamentos ou produtos a consequências graves, como câncer, infertilidade ou morte, segundo o relatório.
WhatsApp foi citado em 70,5% das checagens
Entre as 498 verificações que compõem a base da pesquisa, o WhatsApp apareceu em 351, ou 70,5%. Facebook foi citado em 25,3% das checagens, Instagram em 7%, sites em 5,8% e X/Twitter em 3,8%.
O texto esteve presente em 99,4% das verificações, enquanto vídeos apareceram em 34,3% e imagens em 26,1%. Em 74,5% dos casos, dois ou mais formatos foram combinados. Para a Lupa, uma foto ou vídeo verdadeiro pode receber legenda, título, comentário ou mensagem de encaminhamento falsos, alterando a interpretação do conteúdo.
O levantamento também registrou exploração comercial em 18 verificações desde 2017; 14 ocorreram após 2021. Em 17 desses casos, o conteúdo direcionava à venda de produto ou serviço. Diabetes foi a doença mais citada nesse recorte, com ofertas que prometiam controlar ou reverter a condição, dispensar medicamentos ou eliminar restrições alimentares.


