Brasil estima 12,5 mil novos casos anuais de linfoma até 2028
Estimativa do INCA para 2026-2028 e levantamento da Abrale destacam os desafios do diagnóstico dos linfomas.
O Brasil deve registrar 12.560 novos casos de linfoma não Hodgkin por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) citada pelo Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” (CEJAM). O linfoma não Hodgkin reúne diferentes tipos de câncer que se desenvolvem nos linfócitos, células do sistema de defesa, e pode ter ritmos de evolução e tratamentos distintos.
De acordo com o hematologista Gilberto Kobashikawa, da Santa Casa de São Roque, unidade gerenciada pelo CEJAM, a avaliação especializada e a análise do tecido comprometido ajudam a identificar as características da doença e a definir a conduta. Em algumas situações, o acompanhamento inicial pode ser indicado; em outras, o tratamento precisa começar rapidamente.
Sinais podem variar conforme o local afetado
Segundo o especialista, o aumento persistente dos linfonodos, conhecidos como ínguas, febre sem causa identificada, suor noturno intenso e perda involuntária superior a 10% do peso corporal inicial estão entre os sinais que merecem avaliação médica. Essas manifestações também podem ocorrer em outras condições de saúde e, por si só, não confirmam um câncer.
A confirmação geralmente depende de biópsia. Exames de sangue, imagem e pesquisas moleculares podem complementar a investigação, contribuindo para identificar o subtipo, a extensão e outros aspectos do quadro, informa o CEJAM.
Levantamento aponta espera até o diagnóstico
Uma pesquisa da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), realizada com 262 pacientes com linfoma e divulgada em agosto de 2025, apontou espera média de 149 dias até a confirmação diagnóstica. O levantamento abrange diferentes tipos de linfoma, não apenas o não Hodgkin.
Após o diagnóstico, o início do tratamento levou, em média, 77 dias no Sistema Único de Saúde (SUS) e 60 dias na rede privada, conforme os dados da Abrale. Para Kobashikawa, identificar corretamente o subtipo é importante para orientar a escolha terapêutica e evitar tratamentos inadequados.
Em caso de recidiva, quando o câncer volta a se manifestar após um período de resposta ao tratamento, a equipe médica reavalia fatores como a resposta anterior, os medicamentos já usados e as condições clínicas da pessoa. Entre as possibilidades citadas pela fonte estão quimioterapia, imunoterapia, radioterapia, terapias direcionadas, terapia CAR-T e, em casos selecionados, transplante de células-tronco hematopoéticas.



