Agentes de IA avançam na execução autônoma de tarefas

Especialista relaciona a mudança a soluções por resultado; levantamentos citados apontam adoção crescente, mas escala ainda inicial nas empresas.

Os sistemas de inteligência artificial (IA) estão avançando da geração de respostas para a execução de etapas de trabalho com menor intervenção humana, segundo Lacier Dias, empresário e especialista em estratégia, tecnologia e transformação digital. Para ele, essa mudança também altera a forma como consumidores percebem o valor dessas ferramentas.

“As pessoas não pagam por tecnologia simplesmente porque ela é sofisticada. Elas pagam por soluções, conveniência e experiência. E a IA começa a entregar as três coisas simultaneamente”, afirma Dias, doutorando pela Fundação Dom Cabral, fundador e CEO da B4Data e líder executivo da BR24.

Dados indicam adoção crescente de IA

Segundo o AI Index 2026, do Stanford Institute for Human-Centered Artificial Intelligence, 88% das organizações pesquisadas utilizavam IA em pelo menos uma função em 2025. O levantamento também estima que a adoção de IA generativa pela população mundial chegou a aproximadamente 53% em três anos e que o valor anual gerado para consumidores dos Estados Unidos por essas ferramentas alcançou US$ 172 bilhões no início de 2026.

Os dados citados são estimativas e se referem aos recortes e períodos apresentados pelo relatório. Eles não indicam, por si só, que todas as organizações tenham incorporado a tecnologia às operações em larga escala.

Agentes podem planejar e usar ferramentas

De acordo com Dias, os chamados agentes de IA se diferenciam por poderem planejar etapas, utilizar ferramentas e realizar uma sequência de ações para atingir um objetivo. “Em vez de simplesmente responder a um comando, eles podem planejar etapas, utilizar ferramentas e executar uma sequência de ações para alcançar um objetivo”, diz.

A OpenAI define agentes como sistemas capazes de realizar tarefas de forma independente em nome de usuários, incluindo busca na web, consulta a arquivos e uso do computador. No benchmark OSWorld, citado no material, o desempenho de agentes em tarefas computacionais passou de cerca de 12% para 66,3% em 2025, embora ainda haja limitações importantes.

Empresas ainda estão no início da escala

Uma pesquisa global da McKinsey, também mencionada no material, aponta que 62% das organizações entrevistadas experimentavam agentes de IA em 2025. Segundo a empresa, ganhos começam a aparecer em casos de redução de custos, aumento de receita e inovação, mas a maior parte das organizações ainda está nas etapas iniciais de escala e captura de valor.

Para Dias, o potencial da IA está na capacidade de transformar tempo, conhecimento e processos em resultados. Na avaliação do especialista, quando a tecnologia reduz complexidade e executa parte do trabalho, deixa de ser vista apenas como uma ferramenta de consulta e passa a ser avaliada pela solução que entrega.

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