Uso de testosterona pode afetar fertilidade masculina
Segundo urologista da Huntington, hormônio externo pode reduzir a produção de espermatozoides; recuperação varia após a suspensão.
O uso de testosterona externa para ganho de massa muscular, desempenho físico ou disposição pode reduzir a produção de espermatozoides e afetar a fertilidade masculina, segundo o urologista Irineu Neto, da Huntington Medicina Reprodutiva. O tema é especialmente relevante para homens que planejam ter filhos nos próximos meses ou anos.
De acordo com o médico, a testosterona administrada de forma externa diminui os sinais hormonais enviados pelo cérebro aos testículos. Com a redução de LH e FSH, hormônios ligados à atividade testicular, a produção interna de testosterona cai e a espermatogênese pode ser fortemente reduzida — em alguns casos, chegar à ausência de espermatozoides.
“O homem pode se sentir melhor fisicamente enquanto a produção de espermatozoides cai de forma importante”, explica Irineu Neto. Segundo ele, parte dos pacientes só percebe a alteração quando decide tentar uma gestação e realiza um espermograma.
Recuperação pode levar meses
A suspensão da testosterona pode permitir a retomada da produção de espermatozoides, mas o prazo não é imediato e varia conforme duração e intensidade do uso, além das condições de saúde de cada paciente. Segundo o HAARLEM Study, citado pela Huntington, a recuperação da produção espermática após a interrupção de andrógenos levou de seis a 12 meses, enquanto os níveis de testosterona se recuperaram mais rapidamente.
O especialista afirma que alguns pacientes podem precisar de acompanhamento e de tratamentos individualizados para estimular a recuperação do eixo hormonal e da produção espermática. A resposta, porém, não é igual para todos: alterações podem persistir por períodos mais longos em alguns casos.
Planejamento reprodutivo deve entrar na consulta
A Endocrine Society recomenda, segundo o material enviado, que a terapia com testosterona não seja iniciada em homens que pretendem ter filhos no curto prazo. Para Irineu Neto, a avaliação médica antes do tratamento deve considerar a causa de níveis baixos do hormônio, o histórico de uso e os planos de paternidade.
A investigação pode incluir exames hormonais e análise do sêmen. “Existem situações em que outras estratégias podem ser consideradas”, afirma o urologista, ressaltando que decisões sobre testosterona e fertilidade devem ser acompanhadas por profissional de saúde.



