Reconstrução mamária no SUS chega a 17% após mastectomia
Levantamento com dados do Datasus considera o período de 2014 a 2024; portaria prevê recursos para cirurgia reconstrutiva em 2026.
Apenas 17% das mulheres submetidas à mastectomia por câncer de mama realizaram reconstrução mamária pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2014 e 2024, segundo levantamento baseado em dados do Datasus publicado em 2026. No mesmo contexto, a Portaria GM/MS nº 12.254 incluiu um procedimento de reconstrução mamária unilateral, com ou sem prótese, na tabela do sistema.
De acordo com as informações da portaria citadas no material, a medida prevê recurso anual estimado em R$ 37,1 milhões para procedimentos de cirurgia plástica reconstrutiva de mama. Para 2026, considerando as competências de junho a dezembro, o impacto financeiro informado é de R$ 21,6 milhões.
Reconstrução pode ocorrer em outra etapa do tratamento
A legislação brasileira determina que a reconstrução seja feita no mesmo tempo cirúrgico da mastectomia quando houver condições técnicas. Quando isso não é possível, a paciente deve ser acompanhada para realizar o procedimento após alcançar as condições clínicas necessárias.
Segundo a mastologista e especialista em oncoplastia Gláucia Cordeiro, consultora da DMC Group, tratamentos complementares, condições dos tecidos, características do tumor e a estrutura disponível no serviço de saúde podem levar ao planejamento da reconstrução em uma etapa posterior. Nos casos em que houve radioterapia, por exemplo, o intervalo necessário varia conforme a avaliação da equipe responsável.
A especialista afirma que a cirurgia tardia pode ser considerada para mulheres que concluíram o tratamento oncológico sem reconstrução, desde que sejam avaliadas individualmente. Dependendo do caso, também podem ser necessárias etapas complementares para contorno, simetria e reconstrução do complexo aréolo-mamilar.
Dados têm recortes diferentes
O levantamento baseado no Datasus analisou especificamente mulheres mastectomizadas por câncer de mama no SUS. Já um estudo brasileiro apresentado no congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO) em 2026 avaliou 267.781 reconstruções mamárias realizadas no país entre 2015 e 2022; desse total, 58,8% ocorreram na saúde suplementar, segundo dados apresentados pela especialista.
Os recortes não são diretamente comparáveis, mas apontam diferenças de acesso entre os sistemas. A Sociedade Brasileira de Mastologia estima, conforme o material, que cerca de 80% das pacientes mastectomizadas na rede pública não têm acesso à reconstrução. Entre os obstáculos citados estão financiamento, disponibilidade de próteses, equipes especializadas e estrutura hospitalar.



