O que acontece após uma biópsia até a emissão do laudo

Médica patologista Renata Sacchi explica as etapas de análise do tecido e quando exames complementares podem ser usados.

Depois da coleta de uma biópsia, o fragmento de tecido segue para um laboratório de anatomia patológica, onde passa por preservação, processamento e análise médica antes da emissão do laudo. Segundo Renata Sacchi, médica patologista e gerente geral do DB Patologia, essa avaliação pode ajudar a identificar doenças, esclarecer suspeitas e apoiar a definição das próximas condutas pela equipe responsável.

A biópsia não é usada exclusivamente diante de suspeita de câncer. De acordo com a especialista, o procedimento também pode integrar a investigação de doenças inflamatórias, infecciosas, lesões benignas e outras condições.

Do preparo do tecido à avaliação no microscópio

Após a coleta, o material precisa ser preservado e é encaminhado ao laboratório. Segundo Sacchi, o tecido é avaliado, selecionado para processamento, incluído em parafina e cortado em fatias finas, que são colocadas em lâminas de vidro.

As lâminas recebem colorações que permitem observar estruturas dos tecidos e das células ao microscópio. Nessa etapa, o patologista analisa a organização do tecido, as características celulares e possíveis alterações relacionadas a doenças, correlacionando os achados com a história clínica informada.

O prazo para a liberação do resultado varia conforme a complexidade de cada caso e a eventual necessidade de exames complementares, afirma a médica.

Quando podem ser necessários exames complementares

Em alguns casos, a análise convencional do tecido é suficiente para estabelecer um diagnóstico. Em outros, podem ser empregadas técnicas adicionais, como a imuno-histoquímica, que utiliza anticorpos para identificar proteínas específicas nas células e pode auxiliar na classificação de tumores ou no esclarecimento de determinados diagnósticos.

Exames moleculares também podem identificar alterações genéticas relevantes para compreender o comportamento de algumas doenças e, em situações específicas, orientar tratamentos direcionados, segundo Sacchi. A especialista associa esses recursos à medicina de precisão, abordagem que considera características da doença e do paciente para apoiar decisões terapêuticas individualizadas.

Atuação além do diagnóstico oncológico

A Patologia participa da investigação de condições gastrointestinais, dermatológicas, ginecológicas, autoimunes, inflamatórias e infecciosas, além de ter papel no diagnóstico oncológico. Em biópsias de pele, por exemplo, a análise pode ajudar a diferenciar lesões benignas de tumores malignos ou identificar doenças inflamatórias.

Em cirurgias para retirada de tumores, a análise anatomopatológica pode fornecer informações sobre tamanho, extensão e margens da lesão, além de outros parâmetros usados no estadiamento patológico. Conforme a patologista, o diagnóstico resulta de um trabalho integrado, que envolve a coleta adequada, processos técnicos e interpretação médica especializada.

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