Estudo aponta que 66,1% dos médicos usam IA no Brasil
Levantamento da MV ouviu 112 médicos entre o segundo semestre de 2025 e o início de 2026; custo e integração aparecem entre os entraves.
Um levantamento da healthtech MV aponta que 66,1% dos médicos participantes usam ferramentas de inteligência artificial (IA) de forma regular ou ocasional em suas atividades diárias no Brasil. A pesquisa O Uso de Inteligência Artificial por Médicos no Brasil, primeira edição do MV Insights, foi realizada entre o segundo semestre de 2025 e o início de 2026.
Segundo a MV, o diagnóstico é uma das principais aplicações: 56,6% dos médicos que utilizam IA recorrem à tecnologia para apoio à decisão clínica, incluindo interpretação de exames, sugestão de CID e correlação de sintomas. A empresa informa ainda que a confiança média na tecnologia entre usuários regulares é 26% maior do que entre participantes que nunca a experimentaram.
Custo e integração são barreiras citadas
De acordo com o levantamento, o custo de implantação ou de assinatura foi a principal barreira à expansão da IA apontada pelos médicos, mencionada por 30,4% dos participantes. A dificuldade de integração com sistemas de prontuário e gestão existentes apareceu em seguida, com 22,3%.
A pesquisa também identificou diferenças entre os setores público e privado. Segundo a MV, profissionais da rede pública priorizam a relação entre custo e retorno sobre o investimento, enquanto médicos da rede privada demonstram maior exigência quanto a treinamento e evidências científicas das ferramentas.
Disposição para pagar varia por tempo de formação
Entre médicos com seis a 20 anos de formação, 85,7% afirmaram que pagariam por ferramentas de IA com recursos próprios, segundo a empresa. Nesse grupo, o gasto mensal estimado foi de R$ 111, ante R$ 65 entre profissionais em início de carreira e R$ 62 entre os veteranos.
Paulo Magnus, CEO e fundador da MV, afirma que a IA deve funcionar como apoio ao trabalho clínico, sem substituir o raciocínio médico. “A IA serve como um assistente quase invisível dos profissionais, facilitando e automatizando processos e jamais substituindo o raciocínio médico”, afirma.
O levantamento ouviu 196 profissionais do ecossistema de saúde, entre eles 112 médicos em atuação e formação nas cinco regiões do país. Os resultados refletem as respostas desse grupo e o período pesquisado.



