Cinco condutas de gestão que elevam riscos psicossociais

Especialista Jéssica Palin relaciona práticas de liderança à prevenção de riscos no trabalho; relatório da OIT cita carga, autonomia e apoio da supervisão.

Cobranças com humilhação, metas sem condições de execução e conflitos ignorados podem ampliar riscos psicossociais no trabalho. Segundo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), publicado em abril de 2026, a forma como as atividades e as relações profissionais são organizadas pode afetar a saúde física e emocional dos trabalhadores.

O relatório da OIT sobre o ambiente psicossocial de trabalho destaca aspectos como carga de trabalho, autonomia, clareza de funções e apoio da supervisão. A análise, de acordo com a organização, deve considerar as condições de execução das tarefas, e não apenas características individuais dos profissionais.

Para Jéssica Palin Martins, advogada, psicóloga e fundadora da IntegraMente, metodologia voltada a lideranças e recursos humanos, prevenir esses riscos exige que a gestão avalie prazos, recursos e a capacidade das equipes antes de ampliar cobranças.

Comportamentos que exigem atenção da liderança

A especialista aponta cinco práticas que merecem avaliação, considerando frequência, intensidade e contexto de cada situação:

  • Cobrar metas sem condições de execução: objetivos incompatíveis com equipe, prazo ou recursos pedem revisão e definição do que será adiado, redistribuído ou interrompido.
  • Usar constrangimento para corrigir desempenho: gritos, ironias, ameaças e exposição de erros diante de colegas devem ser apurados. A orientação profissional, segundo Palin, deve esclarecer a falha e indicar a melhoria esperada.
  • Exigir responsabilidade sem conceder autonomia: a chefia precisa delimitar decisões que podem ser tomadas pelo profissional e situações que exigem consulta.
  • Ignorar conflitos e relatos de desrespeito: queixas devem ter escuta, apuração e proteção contra retaliações, inclusive quando envolvem a própria liderança.
  • Transformar toda demanda em urgência: mudanças contínuas de prioridade e tarefas acumuladas sem renegociação de prazo dificultam a organização e o descanso.

Medidas precisam alcançar a rotina de trabalho

Segundo Palin, treinamentos só produzem efeito quando são acompanhados de mudanças verificáveis na rotina. Ela recomenda que as empresas reúnam a escuta dos trabalhadores e dados sobre horas extras, ausências, transferências e desligamentos. Esses registros podem orientar uma investigação, mas não comprovam isoladamente a causa de um problema.

A especialista afirma que medidas de prevenção devem ter responsáveis, prazos e reavaliação, com preservação da confidencialidade das informações pessoais. Em casos de queixas recorrentes, humilhação, ameaças ou retaliações, o setor de recursos humanos deve apurar os fatos e adotar medidas de proteção. Havendo adoecimento, a avaliação por profissionais de saúde pode indicar afastamento.

Em 24 de setembro de 2026, o Supremo Tribunal Federal prorrogou por 90 dias a suspensão das sanções relativas a dispositivos sobre fatores psicossociais da NR-1 abrangidos por decisão provisória. Conforme atualização da Firjan, as orientações para o gerenciamento desses riscos permanecem vigentes.

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