Tratamento oncológico pode afetar a pele: sinais que merecem atenção
Ressecamento, coceira, descamação e radiodermite podem ocorrer durante terapias contra o câncer e devem ser avaliados pela equipe de saúde.
Tratamentos contra o câncer podem estar associados a alterações na pele, como ressecamento intenso, coceira, descamação, mudanças de sensibilidade, radiodermite e cicatrizes após procedimentos cirúrgicos. Segundo os Laboratórios Pierre Fabre, essas manifestações variam conforme a terapia, o medicamento utilizado e as características de cada paciente.
Quimioterapia, radioterapia, terapias-alvo, hormonioterapia e imunoterapia estão entre as modalidades relacionadas a reações dermatológicas. De acordo com um comentário publicado em 2025 na revista Supportive Care in Cancer, as toxicidades cutâneas podem comprometer a qualidade de vida e, em alguns casos, contribuir para redução, atraso ou interrupção da terapia anticâncer. Os autores defendem uma abordagem multidisciplinar, com oncologistas, dermatologistas, pacientes e cuidadores.
Alterações podem exigir acompanhamento
Segundo Fernanda Beltrão, head da Área Médica dos Laboratórios Pierre Fabre no Brasil, reconhecer as alterações e buscar orientação adequada faz parte do cuidado integral. “Ressecamento, coceira, descamação e outras manifestações podem causar desconforto e afetar a rotina do paciente”, afirma.
A xerose, caracterizada por ressecamento, aspereza e, em casos mais intensos, fissuras, está entre as reações cutâneas relatadas durante terapias oncológicas. Um estudo publicado no periódico Dermatologic Therapy, citado pela empresa, avaliou 319 adultos em tratamento contra o câncer com xerose. Após cerca de quatro semanas de uso de um emoliente com extrato de Aquaphilus dolomiae, 62,7% dos participantes apresentaram redução na gravidade da xerose. Por se tratar de um estudo sobre um produto específico, seus resultados não devem ser generalizados para outros cuidados ou pacientes.
No câncer de mama, cirurgias podem deixar cicatrizes, enquanto a radioterapia pode causar vermelhidão, ressecamento e radiodermite na área tratada, segundo o material. Alterações como coceira persistente, dor, vermelhidão, lesões ou descamação devem ser comunicadas à equipe que acompanha o tratamento.
Cuidado deve ser individualizado
De acordo com Fernanda Beltrão, alterações dermatológicas podem afetar o conforto e a qualidade de vida, mesmo quando são vistas como secundárias diante do tratamento. A avaliação individualizada é necessária para identificar a causa dos sintomas e definir os cuidados apropriados, sem substituir a orientação de oncologistas e dermatologistas.



