Recarga deve entrar no plano antes de ampliar frotas elétricas

Dados da ABVE e da ABLA indicam avanço dos eletrificados, enquanto especialista aponta fatores para dimensionar a infraestrutura.

O Brasil alcançou, em setembro de 2026, a marca de 1 milhão de veículos leves eletrificados em circulação, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Diante do avanço, empresas que pretendem ampliar frotas elétricas precisam planejar a infraestrutura de recarga antes da compra dos veículos, de acordo com Paulo Sergio Fernandes Junior, CEO da Apollo Energy.

Segundo a ABVE, os eletrificados representaram 21,8% dos veículos leves comercializados no país em agosto de 2026. Para Fernandes Junior, quando uma operação passa de poucos automóveis para dezenas de unidades, fatores como potência disponível no imóvel, quilometragem diária, horários de retorno e tempo de parada passam a influenciar a disponibilidade da frota.

Locadoras encerraram 2025 com 33.562 eletrificados

O Anuário Brasileiro do Setor de Locação de Veículos 2026, da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA), aponta que as locadoras encerraram 2025 com 33.562 automóveis e comerciais leves eletrificados, mais que o dobro do ano anterior. Desse total, 458 veículos eram 100% elétricos, 9.190 eram híbridos plug-in e 23.914, híbridos convencionais.

De acordo com o levantamento, os eletrificados responderam por 8,3% dos emplacamentos do segmento no país. A presença ainda minoritária de veículos totalmente elétricos, segundo o material da Apollo Energy, indica que a expansão da recarga externa exigirá adaptações além da renovação dos automóveis.

Potência e janela de parada orientam o dimensionamento

Uma frota que fica parada por oito ou dez horas durante a noite pode não precisar de carregadores ultrarrápidos em todas as vagas, afirma Fernandes Junior. Por outro lado, muitos veículos conectados simultaneamente podem pressionar a capacidade elétrica do imóvel e elevar a demanda em horários de pico.

Segundo o executivo, o projeto deve considerar a quilometragem diária, os turnos, a janela de recarga, a potência disponível e a expansão prevista. Sistemas de gerenciamento de carga podem distribuir energia entre os veículos e priorizar aqueles que precisam voltar primeiro à operação.

A ABVE e a Tupi Mobilidade contabilizaram 29.866 pontos públicos e semipúblicos de recarga em agosto de 2026; carregadores rápidos em corrente contínua representavam 38% dessa rede. Ainda assim, o material defende que frotas corporativas estruturem a recarga em sua própria base para ter previsibilidade operacional.

Fernandes Junior também recomenda medição individualizada das sessões de recarga para acompanhar energia utilizada, horários e custo por quilômetro. Segundo ele, a infraestrutura pode ser ampliada gradualmente, desde que o projeto elétrico e o sistema de gestão sejam preparados para o crescimento da frota.

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