Outubro Rosa: prevenção considera risco individual além da mamografia

INCA estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028; rastreamento e investigação devem considerar cada contexto clínico.

O Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no triênio de 2026 a 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Durante o Outubro Rosa, a campanha reforça a importância da mamografia, mas especialistas destacam que a prevenção e a investigação precisam considerar idade, histórico pessoal e familiar, sintomas e outros fatores de risco.

Para o rastreamento populacional, o INCA recomenda mamografia a cada dois anos para mulheres de 50 a 69 anos. De acordo com o instituto, a idade é o principal fator de risco para a doença, que tem origem multifatorial. Mulheres com sintomas, alterações prévias ou risco elevado, porém, podem demandar uma investigação diferente daquela indicada à população geral.

“Perguntar apenas se a mulher já fez a mamografia é importante, mas insuficiente”, afirma Maria Gabriela de Lucca, médica patologista clínica e assessora médica do Grupo DB. Segundo a especialista, fatores como achados anteriores, características mamárias e antecedentes familiares influenciam quais exames fazem sentido em cada momento.

Mama e colo do útero exigem estratégias distintas

A mamografia permanece como exame central no rastreamento do câncer de mama, mas outros exames de imagem podem complementar a investigação conforme o contexto clínico, explica a médica. Ela ressalta que prevenção não significa solicitar todos os exames para todas as pessoas, e sim definir a conduta com critério clínico.

No caso do câncer do colo do útero, associado à infecção persistente pelo HPV, a prevenção reúne vacinação e rastreamento. Segundo o Ministério da Saúde, em 2025 começou a implementação progressiva do teste molecular para identificação do DNA do HPV oncogênico como exame primário de rastreamento para pessoas de 25 a 64 anos com histórico de atividade sexual. Onde o novo teste ainda não está disponível, o exame citopatológico, conhecido como Papanicolau, segue como alternativa, de acordo com a pasta.

Histórico familiar não determina diagnóstico

Ter familiares com câncer não significa, automaticamente, haver uma síndrome hereditária. Segundo o INCA, entre 5% e 10% dos casos de câncer estão associados exclusivamente a fatores hereditários. Múltiplos casos de câncer de mama ou ovário em parentes consanguíneos, diagnósticos em idades jovens ou câncer de mama em homens na família são situações que merecem avaliação médica individualizada.

De acordo com Maria Gabriela de Lucca, testes moleculares ou genéticos podem integrar a investigação quando há indicação clínica. A definição do acompanhamento, dos exames complementares e de eventuais testes deve ser feita por profissionais de saúde a partir do perfil de risco de cada paciente.

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