Mundial de vôlei de 2027 põe em foco a formação de atletas no Brasil

Especialista compara a estrutura universitária dos Estados Unidos com os desafios de retenção de jogadoras no país.

O Brasil disputará o Mundial feminino de vôlei de 2027, marcado para ocorrer de 20 de agosto a 5 de setembro nos Estados Unidos e no Canadá, segundo informações divulgadas pela assessoria da treinadora Ana Paula Zandona. De acordo com o material, a fase decisiva será realizada no Honda Center, em Anaheim, e o torneio também distribuirá três vagas olímpicas entre seleções ainda não classificadas para Los Angeles 2028.

Além da competição em quadra, o campeonato pode evidenciar diferenças entre os modelos de formação de atletas. Segundo Zandona, treinadora de voleibol com experiência no esporte universitário americano, as universidades dos Estados Unidos oferecem uma rota de continuidade para jovens que desejam conciliar estudos e alto rendimento.

“O vôlei americano não cresceu de cima para baixo. A base dele está nas universidades. A menina joga no colégio, depois na faculdade, com estrutura, torcida e transmissão, e quem chega à seleção ou a uma liga profissional já passou anos competindo em alto nível sem abrir mão do estudo”, afirma Zandona.

Estrutura universitária e público

De acordo com dados citados no release, a NCAA registrou 554.298 atletas em modalidades de campeonato na temporada 2024/25, incluindo mais de 25 mil estrangeiros. O material também informa que as três principais entidades do esporte universitário americano distribuem cerca de 180 mil bolsas esportivas por ano, em volume superior a US$ 4 bilhões.

No Nebraska, o interesse pelo vôlei aparece também nas arquibancadas. Segundo a assessoria, a Universidade de Nebraska reuniu 92.003 pessoas em uma partida de vôlei disputada em estádio de futebol americano em 2023. O release informa ainda que o Omaha Supernovas terminou 2025 como líder mundial de público no vôlei profissional pelo segundo ano consecutivo.

O desafio após os 18 anos

Para Zandona, o Brasil tem formação técnica reconhecida, mas enfrenta uma redução de oportunidades na transição para a vida adulta, quando as vagas em equipes diminuem e a faculdade passa a concorrer com a rotina esportiva. A treinadora, ex-levantadora da NCAA Division I, avalia que esse período é decisivo para a permanência de talentos no esporte.

“A brasileira chega com repertório, leitura de jogo e muita repetição. O que falta é um ambiente que segure essa atleta por mais quatro ou cinco anos até ela amadurecer. É nesse período que muita gente boa se perde”, afirma.

Segundo a especialista, a expansão de ligas profissionais femininas nos Estados Unidos amplia a possibilidade de carreira após a universidade. O modelo, porém, não elimina as particularidades brasileiras: para ela, a discussão central é criar condições para que atletas possam seguir em desenvolvimento sem precisar abandonar a formação acadêmica.

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