Movimento orientado pode apoiar reabilitação após câncer de mama, diz fisioterapeuta
Segundo Pablo Dutra, fisioterapia e exercícios adaptados devem respeitar a etapa do tratamento e ter acompanhamento profissional.
A reabilitação após o tratamento do câncer de mama pode incluir movimentos e exercícios orientados, com avaliação individual e acompanhamento profissional. Segundo o fisioterapeuta e educador físico Pablo Dutra, a inatividade prolongada pode contribuir para perda de massa muscular, limitações no ombro e fadiga oncológica.
De acordo com Dutra, o medo de movimentar o braço após cirurgias como mastectomia ou quadrantectomia pode levar à imobilidade. Ele afirma que a falta de estímulo muscular favorece perda de força, encurtamento de tecidos ao redor da cicatriz e restrições que dificultam atividades cotidianas, como pentear o cabelo ou alcançar objetos.
O especialista afirma que exercícios terapêuticos e fisioterapia pós-operatória podem ser usados como apoio ao cuidado oncológico, inclusive para recuperar a amplitude de movimento do ombro e do tórax. Segundo ele, a atividade física adaptada também pode ajudar no manejo da fadiga, um esgotamento persistente que não melhora apenas com repouso.
Cuidados devem ser individualizados
Segundo Dutra, a retirada ou a radioterapia de linfonodos axilares pode dificultar a drenagem do líquido linfático e causar inchaço no braço. Ele explica que exercícios específicos podem auxiliar a função muscular e a mobilidade, mas a conduta precisa considerar o procedimento realizado, a cicatrização e as condições clínicas de cada paciente.
O fisioterapeuta também relaciona quimioterapia e hormonioterapia a possíveis alterações de massa magra e densidade óssea. De acordo com ele, exercícios de força e atividades aeróbicas, quando liberados e prescritos de forma adequada, podem integrar a estratégia de reabilitação.
O que observar antes de começar
- Realizar avaliação prévia com médico responsável ou fisioterapeuta com conhecimento em oncologia;
- Adaptar a intensidade ao nível de energia e aos efeitos do tratamento;
- Começar gradualmente, com movimentos leves e progressão individualizada;
- Seguir as orientações sobre pele, cicatriz, pontos ou drenos recentes;
- Buscar acompanhamento profissional para definir cargas e amplitudes de movimento.
Segundo Dutra, a meta da reabilitação é preservar ou recuperar funcionalidade e autonomia, sem substituir o acompanhamento da equipe oncológica. Sintomas novos, dor intensa, inchaço ou qualquer intercorrência devem ser avaliados pelos profissionais que acompanham o tratamento.



