Menopausa pode estar ligada a infecções urinárias recorrentes
Queda do estrogênio pode alterar a proteção do trato urinário e exigir investigação para evitar antibióticos desnecessários.
Infecções urinárias que reaparecem podem exigir uma investigação mais ampla, especialmente na peri e na pós-menopausa. Segundo a Associação Americana de Urologia, a recorrência costuma ser classificada quando há duas infecções em seis meses ou três em um ano.
De acordo com a ginecologista Bruna Paschoalim, a redução do estrogênio na menopausa pode alterar mecanismos de proteção da região genital e urinária. “Com a diminuição do estrogênio, a mucosa vaginal se torna mais fina, o pH sofre alterações e há redução de bactérias benéficas que participam da defesa da região. Esse ambiente pode favorecer a presença de micro-organismos associados à infecção urinária”, afirma.
Segundo a Associação Americana de Urologia, cerca de 60% das mulheres terão ao menos um episódio de cistite bacteriana ao longo da vida. Entre as mulheres que já tiveram uma infecção, de 20% a 40% podem apresentar um novo episódio. A atualização de 2025 da diretriz da entidade destaca os efeitos do uso repetido de antimicrobianos e o avanço da resistência bacteriana.
Sintomas podem ter outras causas
A queda hormonal pode estar associada à síndrome geniturinária da menopausa, que afeta vulva, vagina, uretra e bexiga. Segundo Bruna Paschoalim, secura, irritação, ardor ao urinar, urgência e aumento da frequência urinária podem se parecer com sintomas de cistite, mesmo sem confirmação de bactérias em exames.
“Quando os sintomas voltam, é importante descobrir se estamos diante de uma nova infecção, de uma bactéria resistente ou de alterações geniturinárias relacionadas à menopausa”, explica a médica. Segundo ela, repetir medicamentos sem essa diferenciação pode mascarar o problema e atrasar a conduta adequada.
Como é feita a avaliação
De acordo com a especialista, a investigação considera histórico, sintomas, tratamentos anteriores e exames de urina. A cultura pode identificar a bactéria e indicar quais medicamentos têm maior chance de funcionar. Diabetes, atividade sexual, uso de espermicidas, cálculos, dificuldade para esvaziar a bexiga, prolapsos pélvicos e alterações anatômicas também devem ser avaliados, segundo a médica.
A diretriz urológica citada pela fonte recomenda considerar estrogênio vaginal para prevenção de recorrências em mulheres na peri ou pós-menopausa, quando não houver contraindicação. Segundo a fonte, esse tratamento local não deve ser confundido com reposição hormonal sistêmica e precisa de avaliação profissional.
Febre, dor intensa nas costas, calafrios, vômitos ou piora do estado geral exigem atendimento rápido, pois podem indicar comprometimento dos rins, alerta Bruna Paschoalim.



