Japão supera 100 mil centenários e reforça debate sobre envelhecimento com autonomia
Dados do Ministério da Saúde japonês e orientações de gerontóloga destacam a relação entre saúde cerebral, corpo e vínculos sociais.
O Japão contabilizou 107.677 pessoas com 100 anos ou mais em 2026, segundo dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do país. O total representa 7.914 centenários a mais do que no ano anterior e ultrapassa, pela primeira vez, a marca de 100 mil pessoas nessa faixa etária.
De acordo com os dados divulgados pelo ministério japonês, o crescimento ocorre pelo 56º ano consecutivo. As mulheres somam 94.298 pessoas, cerca de 88% do total de centenários registrado no país.
Para a gerontóloga Thais Bento Lima da Silva, pesquisadora da USP e parceira científica do Método Supera, o dado amplia a discussão sobre como viver mais anos com autonomia, cognição e participação social. Segundo ela, envelhecer bem não decorre de uma decisão isolada tomada após os 60 ou 70 anos, mas é influenciado ao longo da vida por condições de saúde, ambiente, experiências e acesso a oportunidades.
Saúde cerebral vai além da memória
Segundo Thais, atenção, linguagem, raciocínio, planejamento e tomada de decisões são habilidades cognitivas usadas no cotidiano e que podem se transformar com o envelhecimento. A especialista afirma que estimular a cognição não se limita a jogos de memória ou palavras cruzadas.
“Aprender algo novo, ler, utilizar novas tecnologias, participar de atividades culturais, conversar, ensinar, planejar tarefas e resolver situações do cotidiano são formas de mobilizar diferentes habilidades cognitivas”, destaca a gerontóloga.
Cuidados físicos também entram na conversa
A saúde cerebral e a saúde física não devem ser vistas separadamente, segundo a especialista. Pressão arterial, diabetes, colesterol, tabagismo e sedentarismo estão entre os fatores ligados à saúde cardiovascular que também aparecem nas discussões sobre envelhecimento cognitivo.
A Comissão The Lancet de 2024 reuniu 14 fatores potencialmente modificáveis associados ao risco de demência ao longo da vida. Entre eles estão hipertensão, diabetes, inatividade física, isolamento social, perda auditiva, colesterol LDL elevado, perda visual não tratada e tabagismo.
Thais ressalta que não há um comportamento capaz de garantir que alguém chegará aos 100 anos nem uma fórmula para impedir doenças associadas ao envelhecimento. Segundo ela, cuidados como manter atividade física, acompanhar pressão, glicemia e colesterol, não fumar, ter alimentação adequada, seguir aprendendo e preservar vínculos sociais podem integrar uma trajetória de cuidado.
“Cuidar da saúde do cérebro não começa na velhice. É um cuidado que pode ser construído desde as fases iniciais do ciclo de vida”, conclui a gerontóloga.



