Evento debate liderança feminina e adaptação à inteligência artificial

Executivas de tecnologia, bancos e transporte discutiram os desafios humanos da adoção de IA durante encontro em São Paulo.

O desafio de liderar na era da inteligência artificial (IA) está menos na adoção de ferramentas e mais na condução das pessoas diante de mudanças aceleradas, segundo participantes do Women Leaders in Technology (WLIT), realizado em São Paulo em setembro.

De acordo com Rubia Coimbra, vice-presidente para a América Latina da Cloudera, a adaptação é uma habilidade central para gestoras e gestores. “A competência mais rara é a de rever conceitos arraigados. De desapegar e aceitar que não há resposta certa. A capacidade de perceber rápido que um caminho não faz mais sentido, recalibrar, se adaptar e seguir”, afirmou a executiva durante o evento.

Segundo relatório de 2025 da McKinsey citado pela Cloudera, a IA está presente em 88% das empresas. Para Giuliane Paulista, do Banco do Brasil, a disseminação da tecnologia altera a natureza do desafio de gestão. “A IA deixa de ser uma agenda tecnológica e passa a ser uma agenda de liderança. O desafio está menos nas ferramentas e mais nas pessoas”, disse.

A discussão também abordou limites de acesso e confiança no uso de tecnologia. Sarah Alcantara, superintendente de tecnologia da SPTrans, citou o contexto do sistema de ônibus de São Paulo, usado diariamente por cerca de seis milhões de pessoas. Segundo ela, a implementação de IA precisa considerar a desigualdade de acesso à internet e a confiança de cidadãos que fornecem dados ao poder público.

“É necessário uma medida que vá além da produtividade: a confiança de quem entrega seus dados ao poder público”, ressaltou Alcantara.

Reaprender e ampliar a participação

A jornalista Glenda Kozlowski, convidada do encontro, defendeu o equilíbrio entre dados e sensibilidade humana nas decisões de liderança. Segundo ela, indicadores não captam necessariamente todos os fatores que influenciam trajetórias profissionais e resultados.

O WLIT chegou à quarta edição como uma iniciativa da Cloudera voltada a mulheres e aliadas em posições de liderança na tecnologia. A programação antecedeu o EVOLVE 2026, em São Paulo, e incluiu a participação da Afesu, organização que oferece formação profissional gratuita para meninas e mulheres de regiões de alta vulnerabilidade da capital paulista.

Segundo a Cloudera, participantes do evento fizeram doações à instituição e a companhia dobrou o valor arrecadado. As discussões destacaram que a formação, a escuta de perspectivas diversas e a revisão de práticas de trabalho são parte dos desafios da liderança em ambientes transformados pela IA.

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