Alimentação e enxaqueca: identificação de gatilhos deve ser individualizada
No Dia Mundial da Alimentação, neurologista explica por que rotina alimentar e acompanhamento profissional podem integrar o cuidado com a doença.
A alimentação pode ajudar no cuidado de pessoas com enxaqueca, mas não é considerada a causa da doença nem há uma lista universal de alimentos que devem ser excluídos. No Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, a neurologista Thais Villa destaca que ingredientes e hábitos alimentares podem atuar como gatilhos ou agravar crises em pessoas predispostas, o que exige avaliação individualizada.
Segundo Thais Villa, a enxaqueca é uma doença neurológica crônica, de origem complexa e com componente genético. Além da dor de cabeça intensa, a condição pode envolver náuseas, alterações visuais, sensibilidade à luz e aos sons, mudanças de humor e sintomas gastrointestinais.
“A enxaqueca é uma doença associada a um cérebro hiperexcitado. Alguns alimentos e substâncias, como a cafeína, podem influenciar as crises em pessoas suscetíveis. Mas essa relação varia de indivíduo para indivíduo e precisa ser avaliada de forma individualizada”, explica a médica.
Possíveis gatilhos variam entre pessoas
De acordo com a especialista, bebidas e produtos com cafeína merecem atenção na observação da rotina de quem tem crises. Entre eles estão café, chá-preto, chá-verde, mate, refrigerantes à base de cola ou guaraná, energéticos e suplementos estimulantes.
Produtos com glutamato monossódico, presente em alguns temperos prontos, salgadinhos e molhos industrializados, também podem ser percebidos como gatilhos por algumas pessoas, segundo Thais Villa. Isso não significa, porém, que esses itens provoquem enxaqueca em todas as pessoas ou que devam ser retirados indiscriminadamente da alimentação.
Nutrição integra o tratamento
Segundo a neurologista, o acompanhamento nutricional pode contribuir para identificar padrões alimentares relacionados às crises, organizar a rotina das refeições e construir estratégias compatíveis com o tratamento. A proposta não é impor restrições generalizadas, mas reconhecer necessidades individuais.
“Retirar alimentos da dieta, por si só, não é suficiente para controlar a enxaqueca. O tratamento precisa ser integrado, com acompanhamento neurológico e intervenções medicamentosas e não medicamentosas”, reforça Thais Villa.
A atuação conjunta de nutricionista, neurologista e outros profissionais pode ser especialmente relevante, segundo a médica, quando a enxaqueca está associada a alterações do sono, sintomas gastrointestinais ou dificuldades na relação com a comida. Para pessoas com crises recorrentes ou mudanças nos sintomas, a orientação é buscar avaliação profissional antes de fazer restrições alimentares.



