Dores invisíveis na rotina médica podem evoluir para problemas de saúde mental

Especialista alerta para burnout e fadiga de compaixão entre médicos e destaca a importância do cuidado emocional

No próximo domingo, dia 18, celebra-se o Dia do Médico, momento oportuno para refletir sobre as “dores invisíveis” que acometem esses profissionais e que podem se transformar em problemas perceptíveis de saúde, como burnout e fadiga de compaixão. Segundo o mastologista Daniel Buttros, pesquisador em estilo de vida e câncer de mama, fatores como rotina clínica intensa, expectativas sobre a medicina, comunicação de más notícias, relacionamento com pacientes críticos, excesso de trabalho e pressão por consultas rápidas contribuem para esse desgaste emocional.

De acordo com Daniel Buttros, presidente da Comissão de Comunicação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a escolha pela medicina é motivada por um ideal, mas os futuros médicos não são preparados para o impacto emocional da profissão nem para a pressão por status. Estudos publicados nas revistas BMC Medical Education e Medical Teacher indicam que o idealismo diminui durante a formação médica, enquanto preocupações com emprego, segurança profissional e dívidas estudantis aumentam, além da percepção de hierarquias e comportamentos não profissionais no ambiente acadêmico.

O especialista destaca que, no exercício da medicina, “cada paciente que sai de um atendimento leva um pouco do médico em termos de esperança e deixa um pouco da dor dela no consultório”. Essa realidade pode levar à fadiga de compaixão, caracterizada por tensão e preocupação devido à exposição repetida ao sofrimento dos pacientes, e ao burnout, relacionado às condições e ambiente de trabalho.

Daniel Buttros enumera manifestações das dores invisíveis, como a “hiperativação”, que mantém o médico em alerta mesmo fora do hospital; a “evitação”, que leva ao afastamento de situações emocionalmente difíceis; e a “revivência”, com pensamentos persistentes sobre experiências traumáticas. Ele ressalta que essas condições podem ser prevenidas e tratadas com cuidados como regulação emocional, rotina saudável, tempo fora do trabalho, prática de mindfulness e estratégias de resiliência.

Por fim, o mastologista reforça que os médicos não precisam carregar um “castelo nas costas” e devem buscar acolhimento e cuidado para enfrentar as situações desafiadoras da carreira. A atenção precoce às dores invisíveis é fundamental para evitar que se tornem problemas perceptíveis de saúde.

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