Abstenção entre eleitores com 70 anos ou mais cai 9,7 pontos no primeiro turno de 2026
Dados citados do TSE indicam aumento do comparecimento do público 70+; iniciativa cívica destaca barreiras e informações sobre a Prova de Vida.
A abstenção entre eleitoras e eleitores brasileiros com 70 anos ou mais caiu 9,7 pontos percentuais no primeiro turno das eleições de 2026, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados pelo Movimento Voto 70+. A taxa passou de 58,8% em 2022 para 49,1% em 2026.
De acordo com os dados citados pela iniciativa, o eleitorado apto a votar nessa faixa etária cresceu de 14,9 milhões para 17,2 milhões de pessoas no período. A estimativa de votantes passou de 6,1 milhões para 8,8 milhões, um aumento aproximado de 2,6 milhões. Como o voto é facultativo a partir dos 70 anos, o resultado representa a primeira vez, nos dois pleitos comparados, em que mais da metade desse grupo foi às urnas.
O Movimento Voto 70+, lançado em abril de 2026 e liderado pelo hub de dados data8, atribui parte da maior visibilidade do tema à mobilização sobre participação política, direitos e cidadania na longevidade. Segundo a organização, as ações incluíram orientações sobre regularização do título eleitoral e a divulgação de mapeamentos sobre o perfil de pessoas 70+ que deixam de votar.
“O crescimento da participação dos brasileiros com mais de 70 anos é um sinal de que o envelhecimento não significa afastamento da vida política”, afirma Cléa Klouri, idealizadora do Movimento Voto 70+, em nota. Ela também defende a ampliação do debate sobre etarismo e representação política da população mais velha.
Segundo turno e barreiras ao voto
Segundo o Movimento Voto 70+, a campanha continuará no segundo turno com foco em obstáculos como limitações de mobilidade, falta de redes de apoio e etarismo. A iniciativa informa que a ação digital Vovó Vota pretende aproximar netas e avós e reúne orientações para deslocamento, conferência de documentos e acompanhamento até o local de votação.
Dados reunidos pelo data8 apontam que, em 2022, 64% das mulheres com mais de 70 anos não votaram, percentual dez pontos superior ao registrado entre homens da mesma faixa etária. O dado é apresentado pela organização como um indicador da necessidade de apoio à participação feminina mais velha.
Votação pode contribuir para a Prova de Vida
O comparecimento à votação pode gerar um registro utilizado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na Prova de Vida automática, segundo informações divulgadas no material. O mecanismo pode confirmar que aposentados, pensionistas e beneficiários de programas assistenciais estão vivos, sem exigir ida exclusiva a banco ou agência para essa finalidade.
De acordo com o Movimento Voto 70+, em 2024 foram registrados eventos eleitorais relacionados a 20,95 milhões de beneficiários, que contribuíram para atualizar cerca de 5 milhões de Provas de Vida. A iniciativa informa ainda que, em 2026, o cruzamento também pode valer para pessoas que não votaram no primeiro turno.



