IA amplia eficiência comercial na advocacia respeitando normas da OAB

Uso crescente de inteligência artificial ajuda escritórios a profissionalizar gestão sem ferir regras éticas

O uso de inteligência artificial (IA) generativa na advocacia brasileira cresceu significativamente em 2025, passando de 14% para 26%, segundo dados da Thomson Reuters. Escritórios de advocacia têm adotado essa tecnologia para profissionalizar a gestão comercial, otimizando processos internos sem violar as normas éticas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A Assessoria Alpha, especializada em estratégias de aquisição de clientes e inteligência de dados, destaca que a IA pode ajudar escritórios a entender melhor a origem da demanda, o tempo de resposta e identificar perdas no processo, sem automatizar captação proibida. “O objetivo não é automatizar a captação proibida, mas tornar mais eficiente aquilo que já pode ser feito de maneira ética”, afirma Athos Vilarins, CEO da empresa.

O Provimento 205 da OAB permite marketing jurídico, produção de conteúdo e presença em redes sociais, desde que não induzam diretamente à contratação ou prometam resultados. Na prática, escritórios utilizam sistemas de relacionamento e análise de contatos para identificar gargalos e melhorar o atendimento, respeitando os limites éticos.

Gustavo de Oliveira, fundador da Assessoria Alpha, ressalta que o crescimento está mais na organização e condução dos contatos já existentes do que na busca indiscriminada por exposição. “Existe uma diferença importante entre perseguir pessoas na internet e estruturar melhor o relacionamento com quem já demonstrou interesse legítimo pelo escritório”, explica.

Além da produção de conteúdo, a IA tem sido usada para revisão e resumo de documentos, pesquisa jurídica e outras tarefas que aumentam a eficiência do trabalho jurídico. “A IA na advocacia não deveria servir para enviar mais mensagens para mais pessoas, mas para organizar dados, identificar padrões e reduzir falhas de atendimento”, complementa Athos Vilarins.

Em abril de 2026, o Tribunal de Ética e Disciplina da OAB em São Paulo reforçou a importância da discrição e sobriedade na publicidade jurídica, afastando práticas incompatíveis com as normas vigentes.

A atualização do Provimento 205, em fase final pelo Conselho Federal da OAB, busca adequar as regras às transformações tecnológicas e novas formas de comunicação profissional. “Advogado não precisa virar influenciador para construir presença digital. É possível desenvolver autoridade pela qualidade da informação e profissionalizar processos internos para que o interesse gerado não se perca por falta de organização”, conclui Gustavo de Oliveira.

A Assessoria Alpha reúne cerca de 400 profissionais e já atendeu mais de 3 mil clientes, atribuindo aproximadamente R$ 539 milhões em receita aos negócios atendidos. A empresa adapta sua metodologia para setores como medicina, odontologia, advocacia e contabilidade, sempre respeitando as regras profissionais específicas de cada área.

Fontes

  • Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil: Provimento 205/2021 e atualizações recentes
  • Thomson Reuters Institute: pesquisa sobre adoção de IA no setor jurídico (2025)
  • Decisão do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-SP, 30 de abril de 2026
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