DIU e Implanon®: entenda as diferenças entre os contraceptivos de longa duração
Ginecologista do CEJAM explica eficácia, duração, hormônios, efeitos no ciclo menstrual e retorno da fertilidade dos métodos
Com 1,8 milhão de implantes de etonogestrel programados pelo SUS para o ciclo 2025-2026, entender as diferenças entre o DIU e o Implanon® é essencial para quem busca contracepção de longa duração. Segundo o Ministério da Saúde, o implante subdérmico de etonogestrel tem taxa de falha anual estimada em 0,05%, enquanto o DIU de cobre apresenta 0,6%. Apesar da alta eficácia de ambos, a escolha deve considerar fatores individuais, como padrão de sangramento e preferência pelo uso de hormônios, explica o ginecologista Dr. Fábio Hideo, do CEJAM.
O DIU é inserido no útero e pode ser de cobre, sem hormônios, ou hormonal, liberando levonorgestrel. Já o Implanon® é um bastão plástico colocado sob a pele do braço que libera continuamente o hormônio etonogestrel. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), os DIUs de cobre duram de 10 a 12 anos, os hormonais entre 3 e 8 anos, enquanto o implante tem duração de até 3 anos, necessitando substituição após esse período.
Quanto ao efeito no ciclo menstrual, o DIU de cobre pode aumentar o fluxo e a duração da menstruação, além de intensificar cólicas, especialmente nos primeiros meses. O DIU hormonal tende a reduzir o fluxo e pode levar à ausência de sangramento em algumas pessoas. O implante pode causar sangramentos irregulares, escapes e períodos prolongados ou ausência de menstruação, alterações que não indicam problemas de saúde, mas devem ser avaliadas se persistirem ou afetarem a qualidade de vida.
O implante não contém estrogênio e é indicado para pessoas que não podem usar métodos combinados com esse hormônio, mas a decisão deve ser individualizada, considerando histórico de saúde e condições clínicas, reforça o especialista. O DIU pode ser usado por pessoas que nunca tiveram filhos, desde que não haja contraindicações clínicas.
Ambos os métodos são reversíveis, com retorno rápido da fertilidade após a retirada. No entanto, não protegem contra infecções sexualmente transmissíveis, sendo recomendado o uso do preservativo para dupla proteção.
Dr. Fábio Hideo destaca que não existe um método universalmente melhor. O DIU de cobre é indicado para quem deseja evitar hormônios, enquanto o DIU hormonal pode ser escolhido para reduzir o fluxo menstrual. O implante é opção para quem prefere evitar dispositivos intrauterinos ou estrogênio, embora possa causar alterações imprevisíveis no sangramento. “A decisão compartilhada é fundamental para a segurança contraceptiva”, conclui.
O CEJAM Ser+ promove desde 2011 a inserção e retirada de métodos contraceptivos reversíveis de longa duração (LARCs), além de capacitar profissionais e realizar ações de educação em saúde. Em 2025, foram feitas 2.561 inserções e capacitados 420 profissionais; até junho de 2026, 1.221 inserções e 332 capacitações foram registradas.
O CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica que atua em parceria com o SUS em diversas cidades, promovendo saúde sexual e reprodutiva e planejamento familiar.



