Setor de saúde lidera ataques cibernéticos; proteger sistemas é proteger pacientes

Hospitais enfrentam aumento de 37% em tentativas de ataques cibernéticos, segundo levantamento da Check Point Research

Hospitais e instituições de saúde estão entre os principais alvos do cibercrime global. De acordo com o último levantamento da Check Point Research (CPR), o setor sofreu, em média, 3.167 tentativas de ataques cibernéticos por semana em 2025, índice 37% superior à média dos demais segmentos econômicos.

Um estudo da ISH Tecnologia identificou 11.426 violações de segurança em organizações de saúde brasileiras apenas no primeiro semestre de 2025, das quais 97% foram incidentes reais, evidenciando a exposição constante do setor.

Essa vulnerabilidade ocorre porque hospitais concentram grande volume de informações críticas, como prontuários eletrônicos, exames laboratoriais, imagens médicas, prescrições, dados financeiros, contratos com operadoras, pesquisas clínicas e sistemas que funcionam 24 horas por dia, segundo Marcelo Ferreira de Souza, CTO de Infraestrutura e Segurança da Weega Technologies.

Além dos sistemas financeiros e administrativos, há dispositivos IoT, aplicações em nuvem, integrações com laboratórios, plataformas SaaS, equipamentos médicos conectados e parceiros acessando informações críticas, o que amplia a superfície de ataque e exige estratégias integradas de infraestrutura, gestão de identidades, monitoramento contínuo e proteção dos ambientes.

Na saúde, um incidente não significa apenas indisponibilidade de sistemas, mas pode comprometer o acesso ao histórico clínico do paciente, a operação de centros cirúrgicos, a liberação de exames laboratoriais e a validação de prescrições em farmácias hospitalares, colocando em risco a continuidade da assistência e a vida dos pacientes.

Segundo o IBM Cost of a Data Breach Report 2025, o custo médio de uma violação de dados no Brasil atingiu R$ 7,19 milhões, com grande parte do prejuízo decorrente da interrupção dos serviços assistenciais.

O ransomware é o principal modelo de ameaça para empresas de diversos setores. Conforme o 2026 Data Breach Investigations Report (DBIR), da Verizon, 48% dos incidentes globais envolveram esse tipo de ataque.

Um exemplo é o ataque à Change Healthcare, que processa metade das transações médicas dos Estados Unidos. O ataque paralisou sistemas, afetando farmácias, hospitais, laboratórios e consultórios, e comprometeu informações de mais de 190 milhões de pessoas, configurando a maior violação da história do setor de saúde.

O incidente começou pela ausência de autenticação multifator (MFA) em um portal remoto, permitindo o acesso dos invasores que permaneceram nove dias no ambiente antes de criptografar os sistemas.

Marcelo Ferreira destaca que a inteligência artificial tem tornado os ataques mais rápidos, personalizados e difíceis de identificar, especialmente em campanhas de engenharia social, com e-mails falsos que reproduzem com precisão a linguagem e identidade visual de empresas e executivos.

Para enfrentar esses desafios, gestores de saúde devem investir em processos, governança, monitoramento contínuo e capacitação de equipes, adotando planos de continuidade, exercícios de crise, segmentação de ambientes, backups imutáveis, autenticação multifator, gestão de identidades, arquitetura Zero Trust e inteligência contra ameaças.

Mais importante, a segurança da informação deve ser pauta permanente da alta gestão, não apenas da equipe técnica, promovendo uma mudança cultural nas organizações mais maduras, conclui Marcelo Ferreira.

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