Qualidade do ambiente corporativo impacta mais a produtividade que frequência no escritório

Análise com mais de 377 mil respostas revela que espaços agradáveis e adequados às atividades são essenciais para o trabalho híbrido, segundo especialista em neuroarquitetura

Uma análise da Leesman, baseada em 377.086 respostas de trabalhadores em 808 ambientes corporativos coletadas entre 2022 e 2025, mostra que passar mais tempo no escritório tem uma associação pequena com a percepção de produtividade, segundo o estudo divulgado em setembro de 2026.

De acordo com a arquiteta Priscilla Bencke, cofundadora da NEUROARQ® Academy e especialista em ambientes corporativos, o foco deve estar na qualidade da experiência no espaço, não apenas na presença física. “Trazer as pessoas de volta não resolve, por si só, os problemas do trabalho híbrido. O escritório precisa tornar a presença útil e coerente com as atividades realizadas ali”, afirma.

O estudo indica que quando o escritório é percebido como favorável à troca de conhecimentos, a associação com a percepção de produtividade é aproximadamente duas vezes maior. Se considerado agradável para trabalhar, essa relação é cerca de três vezes mais forte.

Priscilla destaca que o projeto do ambiente deve começar pelo levantamento das atividades, entendendo quanto tempo as equipes dedicam à concentração, quais conversas exigem confidencialidade e como ocorrem reuniões híbridas, chamadas rápidas e trabalhos criativos. Áreas de convivência podem estimular encontros, desde que não espalhem ruído pelo ambiente. Salas menores, cabines para chamadas, espaços protegidos para foco e ambientes reconfiguráveis ajudam a separar atividades incompatíveis sem isolar as pessoas.

Além disso, fatores como tratamento acústico, conforto térmico, iluminação, qualidade do ar e luz natural completam a experiência. “Um escritório agradável oferece gradações: permite conversar sem constranger quem precisa de foco, concentrar-se sem se sentir isolado e mudar de posição conforme a demanda do dia”, explica a especialista.

Ela ressalta que a avaliação do espaço deve continuar após a ocupação, com pesquisas de percepção, observação dos fluxos, procura por salas, ruído e preferência por determinados postos para ajustar o ambiente conforme o uso real. “Medir e escutar permitem ajustar o escritório antes que o desconforto seja tratado como resistência das pessoas”, conclui.

A NEUROARQ Academy é a principal instituição brasileira dedicada ao estudo e disseminação da neuroarquitetura, focada na interseção entre neurociência e ambiente construído para promover saúde, bem-estar e alta performance, sempre baseada em evidências científicas e foco no ser humano.

Priscilla Bencke é arquiteta e urbanista, especialista em arquitetura corporativa e referência em neuroarquitetura no Brasil, com certificações internacionais e atuação como consultora e palestrante reconhecida.

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