Mitos e verdades sobre o câncer de pulmão: diagnóstico precoce é fundamental

Presidente do GBOT esclarece dúvidas comuns e destaca avanços no tratamento e diagnóstico

O Brasil deve registrar cerca de 35 mil novos casos de câncer de pulmão por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, a doença ainda é frequentemente detectada em estágios avançados, o que reduz as chances de cura e sobrevida.

Um dos principais desafios é o diagnóstico tardio, já que os sintomas iniciais podem ser inespecíficos. Para pessoas com maior risco, especialmente fumantes e ex-fumantes, o rastreamento por tomografia computadorizada de baixa dose pode identificar tumores em fases iniciais, aumentando as possibilidades de tratamento curativo. Quando diagnosticado precocemente, o câncer de pulmão apresenta taxa de sobrevida em cinco anos de aproximadamente 65%; considerando todos os estágios, essa taxa é de cerca de 28%.

De acordo com a médica oncologista Samira Mascarenhas, presidente eleita do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT), o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diferentes modalidades terapêuticas para o tratamento, que variam conforme o tipo do tumor, estágio da doença e condições clínicas do paciente.

“Quanto mais cedo conseguimos identificar o câncer, maiores são as possibilidades de tratamento e melhores os desfechos clínicos. Por isso, ampliar o acesso ao diagnóstico precoce é fundamental para reduzir a mortalidade pela doença”, afirma a especialista.

Mitos e verdades sobre o câncer de pulmão

  • O câncer de pulmão é o câncer que mais mata no Brasil e no mundo. Verdade. Apesar de não ser o mais frequente em número de casos, lidera as estatísticas de mortalidade devido ao diagnóstico tardio.
  • O câncer de pulmão é mais incidente em mulheres do que em homens. Mito. A incidência ainda é maior entre homens, embora a diferença tenha diminuído nas últimas décadas.
  • Pessoas que nunca fumaram também podem desenvolver câncer de pulmão. Verdade. Estima-se que 10% a 15% dos casos ocorram em não fumantes, associados a fatores como fumaça passiva, poluição, gás radônio e fatores genéticos.
  • Apenas quem apresenta tosse com secreção tem chance de câncer de pulmão. Mito. A doença pode ser assintomática nas fases iniciais e os sintomas, quando presentes, incluem tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão, perda de peso e sangue no escarro.
  • Cigarros eletrônicos não são inofensivos. Verdade. Também conhecidos como vapes, podem expor o organismo à nicotina e outras substâncias tóxicas, não devendo ser considerados livres de riscos.

O rastreamento por tomografia computadorizada de baixa dose é indicado principalmente para pessoas de alto risco, conforme diretrizes nacionais e internacionais. Ampliar o acesso ao diagnóstico precoce é uma das principais estratégias para reduzir a mortalidade por câncer de pulmão.

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