Menopausa altera metabolismo e nutrição correta pode aliviar sintomas, diz especialista

Nutricionista e psicóloga Flávia Lucena explica como alimentação individualizada ajuda na saúde e bem-estar na menopausa

A menopausa provoca mudanças significativas no metabolismo, sono e humor das mulheres, exigindo cuidados específicos para manter a saúde e o bem-estar. Segundo a nutricionista e psicóloga Flávia Lucena, especialista em comportamento alimentar, a queda do estrogênio nessa fase altera a composição corporal, favorecendo a redistribuição da gordura para a região abdominal e a perda de massa muscular, além de impactar a regulação da glicose, colesterol, função cerebral, sono e saúde óssea.

Flávia destaca que essas transformações não ocorrem isoladamente, mas são influenciadas pelo envelhecimento, genética, composição corporal e hábitos de vida de cada mulher. Sintomas comuns incluem fogachos, fadiga, dificuldade de concentração, alterações no humor e no sono, além de ressecamento vaginal. A redução da libido resulta da interação entre fatores hormonais, físicos, emocionais e relacionais.

“É comum que mulheres relatem dificuldade para emagrecer mesmo mantendo hábitos alimentares semelhantes, pois o organismo se transforma e o gasto energético diminui devido à perda de massa muscular”, explica a especialista. O sono prejudicado também agrava o quadro, interferindo na fome, saciedade e disposição para atividades físicas.

A alimentação adequada pode ajudar a preservar a massa muscular e a saúde óssea, além de favorecer o equilíbrio metabólico. Flávia ressalta que não existe uma dieta única para a menopausa, e a estratégia deve ser individualizada, considerando a composição corporal, qualidade do sono, saúde emocional e possíveis deficiências nutricionais.

Proteínas são fundamentais, especialmente quando associadas a exercícios de força. Para a saúde óssea, cálcio, vitamina D, proteínas e outros micronutrientes são essenciais. A dieta deve priorizar frutas, vegetais, leguminosas, grãos integrais, oleaginosas, peixes, fibras e gorduras insaturadas, evitando ultraprocessados, bebidas açucaradas, excesso de sódio, gorduras trans e álcool, que prejudicam o perfil cardiometabólico.

Alimentos e hábitos que podem agravar os fogachos incluem álcool, excesso de cafeína, bebidas muito quentes, refeições volumosas e alimentos picantes. Flávia recomenda observar as reações individuais sem impor proibições universais. Suplementos devem ser indicados após avaliação de deficiências nutricionais, e sintomas intensos exigem avaliação médica.

Além das mudanças físicas, a menopausa pode afetar a relação da mulher com o próprio corpo. “O corpo não falhou, ele está atravessando uma transição biológica com sintomas próprios, que exigem cuidado e ajuste, não correção”, conclui Flávia, ressaltando a importância do acolhimento e da reorganização da relação com o corpo nessa nova fase.

Sobre a especialista

Flávia Lucena é nutricionista e psicóloga, especialista em comportamento alimentar e criadora do Método Nutrição com Acolhimento®. Sua abordagem integra nutrição clínica funcional, psicologia comportamental e escuta aprofundada da relação das pessoas com a alimentação, promovendo uma visão que considera aspectos físicos, emocionais, sociais e comportamentais do ato de comer. Atua com foco na construção de uma relação mais consciente, flexível e sustentável com a alimentação, auxiliando pacientes em diferentes fases da vida por meio de atendimentos presenciais e online.

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