Mais de 100 mil internações revelam impacto do câncer de mama nos hospitais brasileiros

Levantamento do Grupo IAG Saúde mostra perfil das pacientes, desfechos e custos das internações entre 2021 e 2026

Mais de 100 mil internações hospitalares tiveram como motivo principal o câncer de mama no Brasil entre janeiro de 2021 e junho de 2026, segundo levantamento da Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA, do Grupo IAG Saúde. O estudo analisou 104.049 altas hospitalares em hospitais públicos e privados de todas as regiões do país.

De acordo com o Grupo IAG Saúde, o câncer de mama é o tipo de câncer que mais atinge mulheres no Brasil. A análise mostra que cerca de 9 a 10 a cada mil internações são para tratamento dessa doença, proporção que se manteve estável entre 2022 e 2026.

A idade média das pacientes internadas foi de 56 anos, mas chama atenção que 35,8% das internações foram de mulheres entre 18 e 49 anos, indicando que a doença também tem impacto significativo em mulheres mais jovens. Homens representaram 0,8% das internações.

As internações se dividiram quase igualmente entre o Sistema Único de Saúde (52,3%) e planos de saúde privados (47,2%). A permanência média foi de 2 dias, compatível com procedimentos programados como cirurgias.

A mortalidade durante a internação foi de 3,9%, variando conforme a idade: 3,0% para pacientes até 49 anos e 5,8% para pacientes com 70 anos ou mais. Cerca de 6,2% das pacientes necessitaram de ventilação mecânica e 2,7% passaram por Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O estudo destaca que pacientes com metástase, que representaram 6,7% das internações, apresentaram desfechos muito mais graves: mortalidade hospitalar de 31,2%, tempo médio de internação de 6,9 dias, uso de UTI em 9,5% dos casos e custo médio previsto de R$ 9,5 mil por internação, cerca de 50% maior que nos casos sem metástase.

O custo médio previsto de cada internação foi de R$ 6,5 mil, totalizando aproximadamente R$ 680 milhões em custos assistenciais previstos para o período analisado.

Segundo Breno Duarte, presidente do Grupo IAG Saúde, “o câncer de mama leva ao hospital mulheres de todas as idades, inclusive muitas com menos de 50 anos. Na maioria das vezes, são internações curtas e com baixo risco. O cenário muda radicalmente quando a doença já se espalhou. Os dados reforçam a importância de manter os exames em dia, procurar avaliação médica diante de qualquer alteração nas mamas e garantir acesso rápido ao diagnóstico e ao tratamento”.

O levantamento é um estudo observacional, descritivo e retrospectivo com dados de internações registradas na Plataforma DRG Brasil, com diagnóstico principal de câncer de mama (CID-10 C50). Os resultados refletem as instituições participantes e não representam estimativas de incidência ou prevalência na população brasileira.

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