Inflação aperta o orçamento de quem sustenta filhos adultos e pais idosos
Brasileiros de 41 a 60 anos enfrentam desafios financeiros ao equilibrar despesas próprias e apoio a múltiplas gerações em meio à alta do custo de vida, aponta Serasa e especialista da Simplic.
Com o IPCA de 0,82% em setembro e alta de 7,98% na energia elétrica residencial, brasileiros entre 41 e 60 anos enfrentam o desafio de equilibrar suas despesas com o apoio financeiro a filhos adultos e pais idosos, segundo dados da Serasa e especialistas da Simplic.
Essa faixa etária representa 35,7% dos 83,7 milhões de inadimplentes registrados no Brasil em junho de 2026, conforme aponta a Serasa. O aumento do custo de vida, com destaque para a energia elétrica e alimentação, pressiona ainda mais o orçamento dessas famílias, que precisam dividir a renda entre diferentes gerações.
De acordo com o IBGE, no trimestre encerrado em maio de 2026, a taxa de subutilização da força de trabalho chegou a 13,3%, equivalente a 15,1 milhões de pessoas, e a informalidade alcançava 37,3% dos ocupados. Esse cenário agrava a situação financeira da chamada “Geração Sanduíche”, que além de arcar com suas próprias despesas, contribui para os custos de saúde e cuidados dos pais idosos e ajuda filhos adultos, muitas vezes desempregados.
Marco Afonso, especialista de negócios da Simplic, destaca que “uma renda que parecia suficiente pode se tornar apertada quando surgem duas ou três despesas que não estavam previstas. É nesse momento que o crédito pode aparecer como uma ponte para uma necessidade pontual, mas ele precisa ser tratado como compromisso futuro, não como renda adicional”.
Ele ressalta ainda que, apesar do histórico financeiro consolidado dessa faixa etária facilitar o acesso a diferentes modalidades de crédito, a capacidade de pagamento deve ser avaliada para evitar que soluções de curto prazo se transformem em novas dívidas.
“Antes de contratar, é importante olhar para o custo total e entender se a parcela continuará cabendo no orçamento mesmo que apareça uma nova despesa com os filhos ou com os pais”, conclui Afonso.
O desafio da “Geração Sanduíche” não se resume a ganhar mais ou gastar menos, mas a administrar um orçamento com múltiplos dependentes. Mesmo consumidores com renda estável podem ficar vulneráveis à inadimplência diante da pressão financeira crescente.



