Calor 5°C acima da média eleva em 22% internações por infecção gastrointestinal em crianças no Brasil

Estudo patrocinado pela Opella destaca impacto do El Niño na saúde infantil, com maior risco para bebês menores de 1 ano

Um estudo nacional realizado em 1.814 municípios brasileiros, abrangendo mais de 78% da população, identificou que um aumento de 5°C na temperatura média diária está associado a um aumento de 22% na chance de hospitalização por infecção gastrointestinal nos nove dias seguintes, segundo dados apresentados no Congresso Brasileiro de Pediatria em outubro de 2026. Bebês menores de 1 ano foram o grupo mais suscetível, e infecções transmitidas pela água e alimentos apresentaram maior associação com temperaturas elevadas.

O dossiê “El Niño: impacto das mudanças climáticas na saúde de adultos e crianças”, patrocinado pela farmacêutica Opella, reúne contribuições do meteorologista Prof. Marcelo de Paula Corrêa, da Universidade Federal de Itajubá; da alergista e imunologista Dra. Ana Paula B. Moschione Castro, do Instituto da Criança do HCFMUSP; da gastropediatra Dra. Cristina Targa Ferreira, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre; e do infectologista Dr. Marco Aurélio P. Sáfadi, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

De acordo com a gastropediatra Dra. Cristina Targa Ferreira, o El Niño pode aumentar a exposição a doenças gastrointestinais por meio de variações na temperatura, chuvas e enchentes, qualidade da água e segurança alimentar. O meteorologista Prof. Marcelo de Paula Corrêa explica que os impactos do fenômeno variam conforme a região, intensidade do evento e outros fatores climáticos, com seca e calor intenso no Norte e Nordeste e chuvas intensas no Sul.

O estudo destaca que a prevenção das infecções gastrointestinais envolve cuidados com hidratação, higiene das mãos, segurança dos alimentos e qualidade da água, especialmente em períodos de calor intenso, seca ou enchentes. Sinais de desidratação em crianças pequenas, como boca seca e sonolência, exigem avaliação médica imediata.

Além dos efeitos gastrointestinais, o El Niño pode agravar quadros alérgicos e respiratórios, conforme alerta da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) também alerta para riscos aumentados relacionados a doenças transmitidas pela água e alimentos, ondas de calor, incêndios florestais e insegurança alimentar durante o El Niño 2026-2027.

O dossiê reforça a importância de transformar informações climáticas em cuidados cotidianos para proteger a saúde, especialmente de crianças e populações vulneráveis, diante das mudanças climáticas em curso.

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