Avanço das recuperações judiciais acende alerta para empresas familiares
Especialista do Grupo IRKO destaca a importância da governança para enfrentar instabilidades econômicas e proteger negócios familiares
O número de empresas em recuperação judicial no Brasil tem crescido significativamente, especialmente entre pequenas e médias empresas familiares que ainda não possuem uma estrutura sólida de governança, segundo dados do Monitor RGF-BizDoc do segundo trimestre de 2026. Foram registrados 6.341 CNPJs em recuperação judicial, um aumento de 21,24% em relação ao mesmo período de 2025. Os estados do Sul, com predominância de empresas familiares, respondem por 28,2% desses processos, com destaque para Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.
Alexandre Freitas, sócio da IRKO Sul, explica que em momentos de incerteza econômica, instituições financeiras buscam maior segurança, favorecendo empresas com controles internos bem definidos e números confiáveis. “Aquelas que não têm controles internos bem definidos e números confiáveis tendem a sofrer mais com a falta ou o encarecimento do crédito”, afirma.
A recuperação judicial é um recurso para reorganizar dívidas e evitar a falência, mas indica que a empresa já perdeu parte importante do seu poder de negociação. Dados da 29ª CEO Survey da PwC revelam que 35% dos líderes de empresas familiares veem a instabilidade macroeconômica como a principal ameaça de curto prazo, seguida pela inflação (25%). Além disso, esses executivos dedicam 56% do tempo a temas de curto prazo, e apenas 11% a questões de longo prazo.
Freitas destaca que negócios familiares frequentemente misturam as esferas da família, propriedade e gestão, o que pode intensificar conflitos e decisões baseadas em dinâmicas familiares, em detrimento de critérios profissionais. Para fortalecer a governança, ele recomenda iniciar pelos controles internos, como formalizar a gestão de compras, usar sistemas de CRM, criar políticas de análise de crédito e separar as finanças pessoais das empresariais.
“Uma empresa com governança não depende que o dono aprove pessoalmente cada compra do dia a dia. É preciso definir alçadas de aprovação e processos claros para garantir transparência e confiabilidade”, orienta Freitas. A formalização patrimonial por meio de holding pode proteger o patrimônio pessoal e organizar a sucessão societária, enquanto a criação de protocolos familiares e políticas claras para cargos e distribuição de resultados ajudam a profissionalizar a gestão.
Com controles internos sólidos, é possível criar conselhos consultivos e investir em auditorias internas e externas para validar a estrutura. “A governança cria condições para que o negócio cresça de forma sustentável, apoia a sucessão e melhora as condições no mercado, atraindo parceiros e garantindo retorno financeiro”, destaca o especialista.
O Grupo IRKO, com quase 70 anos de mercado, oferece serviços de assessoria contábil, fiscal, trabalhista, consultoria e auditoria, atendendo desde pequenas empresas até multinacionais, e é reconhecido pela Leaders League em diversos segmentos.



