Atendimento de baixa qualidade é principal motivo para gestantes faltarem às consultas, indica revisão

Revisão de nove estudos brasileiros aponta que falhas no atendimento e dificuldades de acesso impactam acompanhamento pré-natal e podem levar a complicações graves, como morte materna

A baixa qualidade no atendimento é o principal motivo pelo qual gestantes deixam de comparecer às consultas de pré-natal, segundo uma revisão integrativa de nove estudos científicos brasileiros realizada por Roberta Flores Cardoso e Nanci da Silva Teixeira Junqueira, publicada na revista Qualis A Open Minds International Journal.

De acordo com a análise, que abrangeu pesquisas publicadas entre 2020 e 2025, mais de 20% das gestantes no Rio Grande do Sul não realizaram o acompanhamento adequado em 2022, conforme dados do Datasus citados pelas autoras. O Ministério da Saúde recomenda pelo menos seis consultas iniciadas preferencialmente no primeiro trimestre da gestação.

A revisão identificou quatro categorias principais para a falta de adesão às consultas: fragilidades no atendimento profissional, dificuldade de acesso, vulnerabilidade socioeconômica e dificuldade de compreensão da gestante sobre a importância do acompanhamento. Entre elas, o atendimento inadequado, centrado no médico e com alta demanda, foi o fator mais frequente, presente em cinco dos nove estudos.

As consequências da baixa adesão incluem complicações graves como mortes maternas, doenças gestacionais como hipertensão e diabetes, e alterações psicossociais no puerpério, como depressão e psicose puerperal. Quatro dos estudos relacionaram a falta de acompanhamento a mortes maternas, destacando hipertensão, hemorragia e doenças do aparelho circulatório como principais causas.

Segundo as autoras, o Sistema Único de Saúde (SUS) garante o acesso, mas na prática esse acesso é frágil, o que contribui para a evasão das consultas. Elas sugerem que a enfermagem desempenhe papel fundamental na busca ativa das gestantes, visitas domiciliares, acolhimento, escuta ativa e capacitação contínua das equipes para fortalecer o vínculo e a confiança com as mulheres e suas famílias.

O estudo ressalta a necessidade de novas pesquisas para atualizar dados sobre as causas da baixa adesão e suas consequências para a saúde materna.

O trabalho integra o volume 2, número 16, de 2026, da Open Minds International Journal, de propriedade intelectual do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH), com gestão técnica da Editora Atena.

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