Adenocarcinoma pulmonar: cirurgia pode confirmar diagnóstico e tratar o câncer

Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica explica quando a cirurgia é indicada para diagnóstico e tratamento do câncer de pulmão

O adenocarcinoma pulmonar é o tipo mais comum de câncer de pulmão e, quando detectado em estágio inicial, pode ser tratado com cirurgia. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), em alguns casos, a retirada do nódulo pulmonar permite confirmar o diagnóstico e remover completamente o tumor, evitando uma segunda operação.

Na terça-feira (13), o papa Leão XIV passou por cirurgia no Hospital Policlínico Gemelli, em Roma, para retirada do lobo inferior do pulmão direito por técnica minimamente invasiva videoassistida. A análise do tecido durante o procedimento confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, conforme comunicado do Vaticano.

A SBCO destaca que a cirurgia pode ter intenção curativa dependendo do tamanho, localização do tumor, extensão da doença e condições clínicas do paciente. A confirmação do câncer durante a operação não define o estágio definitivo nem a necessidade de tratamentos complementares, que são avaliados após análise completa do material retirado e exames clínicos e de imagem.

O câncer de pulmão é o terceiro tumor maligno mais incidente em homens e o quarto em mulheres no Brasil, com mais de 35 mil novos casos estimados anualmente para o triênio 2026-2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). O adenocarcinoma, que se origina nas regiões periféricas do pulmão, é o tipo mais frequente, inclusive entre não fumantes, embora o tabagismo continue sendo o principal fator de risco.

Além do tabagismo, a exposição passiva à fumaça, poluição atmosférica, radônio e substâncias cancerígenas em ambientes de trabalho também estão associados ao desenvolvimento da doença. Alterações genéticas adquiridas pelas células tumorais podem influenciar o comportamento do câncer e orientar tratamentos específicos.

O adenocarcinoma pulmonar pode ser silencioso nas fases iniciais, com sintomas como tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão, perda de peso e sangue no escarro surgindo tardiamente. Muitas vezes, a doença é detectada incidentalmente em exames de imagem realizados por outros motivos.

A investigação de nódulos pulmonares começa geralmente com tomografia computadorizada. Dependendo das características da lesão, pode ser indicado acompanhamento, exames complementares ou coleta de material por broncoscopia, punção guiada por imagem ou cirurgia. Na biópsia cirúrgica, o tecido suspeito é retirado para análise pelo patologista.

Em casos selecionados, a remoção completa da lesão pode ser terapêutica, evitando nova cirurgia. A lobectomia, retirada de um lobo pulmonar, é o procedimento mais comum para tumores localizados, mas a segmentectomia anatômica pode ser indicada para lesões pequenas e periféricas, preservando mais tecido pulmonar. A cirurgia pode incluir avaliação ou retirada de linfonodos para verificar disseminação do câncer.

Nas últimas décadas, técnicas minimamente invasivas, como cirurgia torácica videoassistida e cirurgia robótica, têm ampliado as opções de tratamento, proporcionando menos dor, menor tempo de internação e recuperação mais rápida, conforme a SBCO. A escolha da técnica depende do tumor e das condições do paciente.

A avaliação pré-operatória é fundamental para analisar a capacidade respiratória e cardiovascular do paciente, garantindo que ele possa tolerar a cirurgia e definindo a extensão adequada da retirada pulmonar.

A indicação cirúrgica não é automática e depende do estágio da doença. Em tumores restritos ao pulmão, a cirurgia pode oferecer chances importantes de cura. Em casos localmente avançados, a operação pode ser combinada a outras terapias. Quando há metástases, a cirurgia deixa de ser a principal estratégia, mas pode ser considerada em situações específicas.

O tratamento pode incluir quimioterapia, imunoterapia, terapias-alvo e radioterapia, isoladas ou combinadas, antes ou depois da cirurgia para reduzir a doença ou o risco de recidiva. A análise molecular do tumor, identificando alterações genéticas como EGFR, ALK e ROS1, tem papel crescente na escolha terapêutica.

Segundo Erlon de Ávila Carvalho, coordenador da Comissão de Tumores Torácicos da SBCO, “um dos principais desafios é identificar a doença antes que esteja muito avançada, pois muitos pacientes chegam em estágios avançados, dificultando o tratamento curativo”.

A detecção precoce amplia as chances de cura, mas é difícil devido à ausência de sintomas iniciais. A tomografia computadorizada de baixa dose é uma estratégia usada em grupos de risco, principalmente fumantes, para identificar alterações pulmonares precocemente, embora não haja diretriz nacional para seu uso.

Nem todo nódulo detectado é câncer ou precisa ser removido. A decisão considera tamanho, formato, crescimento e características do paciente. A avaliação por equipe especializada define a melhor estratégia, buscando confirmar o diagnóstico e remover a lesão preservando a função pulmonar.

A SBCO reforça que o diagnóstico oportuno e o acesso a equipes multidisciplinares são essenciais para que os pacientes se beneficiem dos avanços no tratamento do câncer de pulmão, com avaliação individualizada para indicação cirúrgica e combinação terapêutica adequada.

Sobre a SBCO
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), fundada em 1988, é uma entidade sem fins lucrativos que reúne cirurgiões oncológicos e profissionais envolvidos no cuidado multidisciplinar do paciente com câncer. Sua missão inclui promover educação médica continuada, prevenção, detecção precoce e tratamento do câncer, fortalecendo a cirurgia oncológica no Brasil. Atualmente, é presidida pelo cirurgião oncológico Paulo Henrique de Sousa Fernandes (2025-2027).

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