9 em cada 10 brasileiras desconhecem tratamento eficaz para menopausa; região influencia idade da chegada da fase

Estudo EMBRACE revela desigualdades no acesso ao tratamento e impacto da menopausa na saúde mental das mulheres brasileiras

Aos 43 anos, em média, a mulher brasileira recebe o primeiro diagnóstico de depressão durante a transição para a menopausa, segundo dados inéditos do estudo EMBRACE, apresentado no 20º Congresso Mundial de Menopausa da International Menopause Society, realizado no Rio de Janeiro em outubro de 2026. A pesquisa, conduzida pela ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta, destaca que a idade da menopausa varia conforme a região do país e que 9 em cada 10 brasileiras conhecem pouco sobre a terapia hormonal, o tratamento mais eficaz para os sintomas da menopausa.

De acordo com Fabiane Berta, mestre e doutoranda pela UNIFESP/EPM e pesquisadora do Science Valley Research Institute, “o Brasil é feito de muitas mulheres: pretas, pardas, brancas, indígenas, urbanas e rurais. Não existe uma menopausa única, existem mulheridades”. O estudo EMBRACE, o primeiro registro nacional de menopausa do Brasil, abrange os 27 estados e avalia sintomas, uso de terapia hormonal, trabalho, conhecimento médico e desigualdades de acesso.

Principais dados do estudo

  • A idade mediana da menopausa na América Latina é de 48,6 anos, variando de 43,8 anos em Assunção a 53 anos em Cartagena.
  • Morar a mais de 2.000 metros de altitude, ter menor escolaridade ou viver em países de menor renda dobra a chance de menopausa precoce.
  • 92,97% das brasileiras entre 40 e 65 anos têm pouco ou nenhum conhecimento sobre terapia hormonal, e apenas 30,3% estão plenamente satisfeitas com as informações recebidas.
  • Cerca de 55% das brasileiras com sintomas pós-menopausa nunca usaram terapia hormonal, sendo o não uso maior no sistema público (62,59%) comparado ao privado (49,78%).
  • Entre ginecologistas que atendem nos dois sistemas, 76,5% prescrevem mais terapia hormonal no privado. No SUS, as principais barreiras são o custo (68,2%) e a falta de medicação gratuita (61,4%).
  • 68,46% das brasileiras na pós-menopausa relatam secura vaginal, e 51,35% perda de urina durante atividade física.
  • O primeiro diagnóstico de depressão na pós-menopausa ocorre em média aos 43 anos, com maior incidência na região Centro-Oeste.
  • 74% das mulheres com depressão na pós-menopausa são tratadas com medicação, mas apenas 16,7% fazem psicoterapia.

Fabiane Berta ressalta que “a terapia hormonal é reconhecida pelas principais sociedades médicas como o tratamento mais eficaz para os sintomas da menopausa. O tratamento existe e é seguro quando bem indicado. Precisamos que a informação e o acesso cheguem a todas as mulheres, em todas as regiões”.

O estudo EMBRACE reforça que fatores como altitude, escolaridade, renda e sistema de saúde influenciam a idade da menopausa e o acesso ao tratamento, evidenciando desigualdades regionais e sociais. A menopausa brasileira, segundo a pesquisadora, “tem sotaque, tem CEP e tem território hormonal”.

Sobre a especialista: Fabiane Berta é ginecologista e pesquisadora em menopausa, mestre e doutoranda pela UNIFESP/EPM, pesquisadora do Science Valley Research Institute e arquiteta do estudo EMBRACE. É fundadora do movimento MYPAUSA e do Instituto Fabiane Berta. CRM-SP 151.126.

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