Demi Lovato faz as pazes com o corpo aos 34 anos e inspira reflexão sobre autoestima e saúde
Cantora revela superação da pressão estética e especialistas explicam os riscos da busca desenfreada pelo emagrecimento rápido
Demi Lovato revelou em entrevista à Glamour Brasil que, aos 34 anos, finalmente conseguiu construir uma relação pacífica com o próprio corpo, após anos enfrentando transtornos alimentares e pressão estética desde a adolescência. A cantora, que conquistou fama internacional aos 15 anos, conviveu com cobranças sobre sua aparência e bullying, segundo o relato.
Esse depoimento ganha destaque em um contexto em que a busca pelo corpo ideal é intensificada por dietas restritivas, medicamentos para emagrecimento e transformações físicas compartilhadas nas redes sociais, criando uma sensação constante de insatisfação corporal, de acordo com especialistas.
Gabriela Rossmam, médica especialista em emagrecimento, alerta que estabelecer metas exclusivamente estéticas pode substituir o cuidado com a saúde por uma corrida por resultados rápidos, muitas vezes insustentáveis. “Quando alguém decide que precisa emagrecer até dezembro, cria-se uma urgência que favorece estratégias difíceis de manter a longo prazo”, explica.
O endocrinologista Dr. Bruno Cardoso, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), destaca que medicamentos como semaglutida e tirzepatida são avanços importantes no tratamento da obesidade, mas adverte contra a transformação da perda de peso em competição pela rapidez dos resultados. “Obesidade é uma doença crônica e o tratamento deve considerar saúde metabólica, composição corporal e capacidade de manter o resultado”, afirma.
O ortopedista e especialista em nutrologia Dr. Renan Bosio ressalta a importância de preservar a massa muscular durante o emagrecimento para manter força, mobilidade e independência funcional. “Emagrecimento de qualidade significa reduzir gordura enquanto protegemos o tecido muscular”, explica.
A endocrinologista Patricia Gracitelli (RQE 69887) reforça que o peso corporal é influenciado por múltiplos fatores, como genética, sono, alimentação e condições metabólicas, e que soluções simplistas nem sempre atendem às necessidades individuais. “O objetivo deve ser melhorar a saúde metabólica, não apenas fazer a balança cair rapidamente”, destaca.
Demi Lovato exemplifica que aceitar o próprio corpo não significa deixar de cuidar dele ou desejar mudanças, mas desenvolver uma relação menos marcada por culpa e comparação. Sua experiência evidencia que a liberdade pode estar em não precisar corresponder a um ideal de perfeição, uma mensagem relevante para todas as pessoas que enfrentam desafios com a autoestima e a imagem corporal.



