Credibilidade é o ativo-chave para liderar na Ibero-América em meio à desconfiança

VI Congresso Ibero-Americano da ATREVIA destaca a importância da confiança, reputação e inteligência artificial para negócios e liderança na região

A credibilidade se consolida como o principal ativo para liderar em uma Ibero-América marcada pela desconfiança, segundo o VI Congresso Ibero-Americano de Marketing, Comunicação e Assuntos Públicos da ATREVIA, realizado em Madri, Espanha. O evento reuniu líderes empresariais, representantes institucionais, veículos de comunicação e especialistas para debater como a confiança, a inteligência artificial (IA) e a reputação se tornaram fatores estratégicos para os negócios.

De acordo com Sergio Díaz-Granados, presidente executivo da CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe, 75% dos cidadãos ibero-americanos têm dúvidas sobre em quem confiar. Ele ressaltou que “a influência não se declara, se constrói. A reputação é a confiança acumulada”. Díaz-Granados também defendeu maior integração regional e destacou o papel da Espanha como plataforma de conexão entre América Latina e Europa.

Núria Vilanova, fundadora e presidente executiva da ATREVIA e presidente do Conselho Empresarial Aliança pela Ibero-América (CEAPI), reforçou a importância de fortalecer os vínculos empresariais entre os territórios para transformar laços históricos e culturais em investimento e desenvolvimento compartilhado.

O congresso evidenciou que a reputação deixou de ser um intangível ligado exclusivamente à comunicação para se tornar um ativo estratégico relacionado ao risco, investimento e tomada de decisões empresariais. Anyarlene Bergés, vice-presidente de Relações Institucionais e Comunicação da INICIA, alertou que “em uma falha reputacional, a multa é o que sai mais barato”.

Eva Piera, diretora-geral de Relações Externas, Comunicação e Marca da MAPFRE, destacou que a legitimidade e relevância de uma empresa se constroem localmente, respeitando as particularidades de cada mercado. Francisco Ojeda, diretor de Sustentabilidade da Cox, e Juan Requejo, Local Communities Manager da Minera Los Frailes–Grupo México, enfatizaram a importância de planos de desenvolvimento que gerem valor sustentável para as comunidades.

O congresso também abordou o desafio da desinformação e o papel do jornalismo rigoroso. Fernando Quijano, diretor-geral do La República, da Colômbia, afirmou que “é preciso ir ao local, falar com a fonte original e buscar informação primária” para combater fake news.

A inteligência artificial surge como um novo ator na construção da reputação. Segundo o estudo de escuta social apresentado pela ATREVIA, para cada opinião positiva sobre o uso da IA, há quatro negativas, com predominância de deboche e ironia. Eva Piera ressaltou que as organizações devem prestar atenção não só ao que as pessoas dizem, mas também ao que os sistemas de IA interpretam, mantendo as decisões finais nas mãos humanas.

Óscar Peña, Chief Innovation & Digital Solutions Officer da ATREVIA, apontou cinco desafios para a evolução da IA até 2027, incluindo a transição de sistemas que apenas ajudam para sistemas que agem e a integração da IA em novas formas de interação.

María Neira, ex-diretora do Departamento de Meio Ambiente, Mudanças Climáticas e Saúde da OMS, destacou a importância da escuta ativa para gerar credibilidade: “Nem sempre para aprender, mas sempre para entender”. O congresso concluiu que escutar, antecipar-se e agir com coerência são essenciais para construir confiança, liderança e influência na Ibero-América.

Este cenário representa uma oportunidade para fortalecer conexões regionais, valorizar capacidades locais e ganhar relevância em um contexto global em transformação.

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