A conta da liberdade chegou para os millennials
Ao completarem 40 anos, millennials percebem que autonomia exige estrutura financeira, segundo estrategista Thiago Shimada
Ao chegarem à meia-idade, os millennials enfrentam uma nova realidade: a liberdade de escolher caminhos exige estrutura financeira. Pesquisas indicam que 81% deles não têm reserva para cobrir imprevistos, segundo levantamento do Thriving Center of Psychology.
De acordo com o estrategista Thiago Shimada, especialista em Business Performance e neurociência aplicada à tomada de decisão, essa geração que valorizou o “ser” e as experiências começa a entender que a autonomia também depende de patrimônio, capital e tempo.
Segundo Shimada, “trocar o ter pelo ser fez sentido como reação a um modelo de vida baseado apenas em acumulação. O problema aparece quando construir patrimônio passa a ser interpretado como o oposto da liberdade. Em algum momento, a conta chega porque sustentar essa autonomia também exige recursos”.
Dados do Raio X do Investidor Brasileiro 2026, realizado pela Anbima em parceria com o Datafolha, mostram que 38% dos millennials entre 30 e 44 anos têm algum investimento financeiro, enquanto apenas 33% da população geral conseguiu poupar em 2025.
Um estudo publicado no International Journal of Urban and Regional Research revela que 94,5% dos millennials desejam morar em imóvel próprio na velhice, indicando um “adiamento aspiracional” — a preferência pela flexibilidade no presente pode postergar a construção de patrimônio, segundo os pesquisadores Rafael Kalinoski e Mario Prokopiuk.
Shimada destaca que patrimônio não serve apenas para comprar bens, mas para reduzir a dependência da renda atual e criar margem para atravessar períodos de instabilidade, reorganizar a carreira ou recusar escolhas feitas apenas por necessidade financeira.
Ele explica: “Patrimônio compra tempo e capacidade de escolha. Quando toda a vida depende da renda que precisa entrar no mês seguinte, existe liberdade enquanto a capacidade de produzir permanece intacta. Uma reserva começa a mudar essa relação porque permite decidir sem a mesma pressão da urgência”.
Além disso, uma análise da Realtor.com com dados dos Estados Unidos mostra que a idade mediana do comprador do primeiro imóvel passou de 30 anos em 1990 para 40 anos em 2025, e adquirir a casa até os 32 anos está associado a um patrimônio líquido 22,5% maior aos 50 anos.
Para os millennials, a pergunta que surge aos 40 anos não é quanto escolheram ter ou viver, mas quanto da autonomia futura ainda depende exclusivamente da energia que conseguirão produzir amanhã.
Thiago Shimada é bacharel em Comunicação Social pela FAAP, pós-graduado em Neurociência pela Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, e atua há mais de 20 anos conectando neurociência, comportamento humano e estratégia empresarial.



