Sífilis no RS: encontro debate novas formas de prevenção
Evento em Gramado abordará DoxiPEP, PrEP injetável e outros avanços diante da alta taxa de sífilis adquirida no estado.
Com uma taxa de 160,7 casos de sífilis adquirida por 100 mil habitantes, o Rio Grande do Sul supera a média brasileira, de 120,8 casos. Os dados são do Boletim Epidemiológico de Sífilis 2025, do Ministério da Saúde, e ajudam a contextualizar a programação do Encontro Gaúcho de Urologia 2026, marcado para 16 e 17 de outubro, em Gramado.
Promovido pela Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional Rio Grande do Sul (SBU-RS), o evento terá discussões sobre prevenção ao HIV, à sífilis e à clamídia. Entre os temas anunciados estão a profilaxia pós-exposição com antibiótico, conhecida como DoxiPEP, e modalidades injetáveis de profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV.
DoxiPEP entra no debate sobre sífilis e clamídia
Segundo o material divulgado pela SBU-RS, a DoxiPEP foi incorporada ao SUS pelo Ministério da Saúde em março. A estratégia consiste no uso de antibiótico em até 72 horas após uma relação sexual sem preservativo, preferencialmente nas primeiras 24 horas, para reduzir o risco de sífilis e clamídia.
Neste primeiro momento, conforme a SBU-RS, a oferta é voltada a grupos com maior vulnerabilidade a essas infecções. O urologista Rafael Carvalho, coordenador do Departamento de Infecções e IST da SBU-RS, explica: “A DoxiPEP é a forma que temos de fazer prevenção depois de uma relação sexual de risco”.
Carvalho também afirma que as novas ferramentas ampliam as possibilidades de manejo de pacientes sorodiscordantes ou com exposição de risco mais frequente. “Essas novidades atualizam as medidas que podemos usar no manejo de pacientes sorodiscordantes ou com exposição de risco mais frequente que o habitual, reduzindo a cadeia de transmissão.”
PrEP injetável estará em pauta
Na prevenção ao HIV, a programação prevê discussões sobre PrEP injetável. De acordo com a SBU-RS, o cabotegravir é aplicado a cada dois meses. Já o lenacapavir, aprovado pela Anvisa em janeiro como PrEP, tem aplicação semestral.
Segundo a entidade, o estudo que embasou o registro do lenacapavir apontou redução de 96% na incidência de HIV em relação à taxa esperada na população estudada e incidência 89% menor que a observada com a PrEP oral diária. A SBU-RS informa que o lenacapavir ainda não está disponível no SUS, enquanto os pacientes já podem contar com o cabotegravir.
As medidas não substituem todas as formas de prevenção. “O preservativo continua muito importante, porque há infecções que essas medidas não cobrem”, reforça Carvalho.
Outros temas da urologia em Gramado
O encontro também abordará câncer de próstata, cirurgia robótica e hiperplasia prostática benigna. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de próstata é o mais frequente entre homens no Brasil, excluindo os tumores de pele não melanoma, e responde por cerca de 30% dos diagnósticos oncológicos masculinos, com mais de 71 mil novos casos por ano.
Segundo a SBU, a hiperplasia prostática benigna, caracterizada pelo aumento não canceroso da próstata, pode atingir cerca de 50% dos homens acima de 50 anos e até 90% daqueles com mais de 80. A entidade informa que os sintomas urinários podem afetar sono, disposição e qualidade de vida.
O Encontro Gaúcho de Urologia será realizado no Wish Serrano Resort, em Gramado (RS). A programação está disponível em www.sburs.com.br/egu2026-programa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



