Geração Sanduíche concentra 35,7% dos inadimplentes

Dados da Serasa mostram o peso financeiro sobre brasileiros de 41 a 60 anos que apoiam filhos adultos e pais idosos.

Quem imagina que a inadimplência atinge sobretudo quem está começando a vida profissional pode se surpreender com os dados da Serasa. Em junho de 2026, brasileiros entre 41 e 60 anos representavam 35,7% dos 83,7 milhões de pessoas inadimplentes no país, a maior parcela entre as faixas etárias analisadas pela instituição.

Por trás desse número está uma realidade conhecida por muitas famílias: a de quem sustenta ou ajuda a sustentar mais de uma geração. É a chamada Geração Sanduíche, formada por pessoas que precisam equilibrar as próprias contas, o suporte a filhos adultos e os custos ligados aos cuidados de pais idosos.

Quando uma renda atende a três gerações

Na prática, o orçamento de quem está nessa fase pode reunir despesas fixas de moradia, alimentação, educação e impostos, além de ajudas que nem sempre podem esperar. Um filho sem trabalho pode precisar de apoio para aluguel e contas básicas. Já pais idosos podem demandar medicamentos, consultas e outros cuidados.

Esse acúmulo ocorre em um cenário de trabalho ainda marcado pela instabilidade. No trimestre encerrado em maio de 2026, a taxa de subutilização da força de trabalho chegou a 13,3%, o equivalente a 15,1 milhões de pessoas, de acordo com o IBGE. O instituto também informou que a informalidade alcançava 37,3% das pessoas ocupadas, ou 38,3 milhões de trabalhadores.

Os indicadores ajudam a dimensionar por que uma renda, mesmo quando existe, pode não ser estável ou suficiente para responder a tantas demandas. Quando ela é dividida entre diferentes gerações, uma queda nos ganhos ou um gasto inesperado pode reduzir rapidamente a margem do orçamento.

Crédito não deve entrar como renda extra

Segundo Marco Afonso, especialista de negócios da Simplic, plataforma de empréstimo pessoal online, a pressão costuma ficar mais evidente diante de despesas imprevistas. “Uma renda que parecia suficiente pode se tornar apertada quando surgem duas ou três despesas que não estavam previstas. É nesse momento que o crédito pode aparecer como uma ponte para uma necessidade pontual, mas ele precisa ser tratado como compromisso futuro, não como renda adicional”, afirma.

A faixa entre 41 e 60 anos, observa Afonso, frequentemente já tem um histórico financeiro construído ao longo de décadas. Isso pode ampliar o acesso a modalidades de crédito, mas não elimina a necessidade de avaliar se a dívida poderá ser paga caso novas responsabilidades familiares apareçam.

“O histórico financeiro consolidado pode ajudar o consumidor a encontrar mais opções de crédito, mas também aumenta a responsabilidade na escolha. Antes de contratar, é importante olhar para o custo total e entender se a parcela continuará cabendo no orçamento mesmo que apareça uma nova despesa com os filhos ou com os pais”, diz o especialista.

O desafio de manter as contas em equilíbrio

Para a Geração Sanduíche, a questão não se resume a cortar gastos ou aumentar a renda. Trata-se de administrar necessidades simultâneas e, muitas vezes, afetivas: apoiar quem depende daquela renda sem comprometer completamente a própria segurança financeira.

Como resume Afonso, “quando essas obrigações chegam ao mesmo orçamento, o crédito pode até aliviar a pressão imediata, mas o planejamento de como pagar a conta depois passa a ser tão importante quanto conseguir o dinheiro”.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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